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La Derrota

Tião Carreiro e Pardinho

Derrota

Ai lá no bairro aonde eu moro assim o pessoal proseia
Que os campeões na redondeza da minha fama receia
Ai por saber que do meu lado a corda velha não bambeia
Só lembram de Santa Bárbara na hora que relampeia

Ai gente que só garganteava tem a pulga atrás da orelha
Nas festas que eu vou chegando a violeirada raleia
Ai eles vão se escorregando que nem lagarto na areia
Lugar que a onça transita o macaco não passeia

Ai tem violeiro imitador que longe de mim proseia
Dentro do meu repertório eu não tenho moda feia
Ai folgazão que não faz moda em pouco tempo chateia
Perto do gavião penacho os passarinhos não gorjeiam

Ai eu e o meu companheiro canta baixo e não ondeia
Coração pode ser duro com nossos versos brandeia
Ai quando estamos cantando o adversário desnorteia
Perto da estrela d'álva outra estrela não clareia

La Derrota

En el barrio donde vivo la gente comenta
Que los campeones de la zona temen mi fama
Saben que a mi lado la cuerda no se tambalea
Solo recuerdan a Santa Bárbara cuando relampaguea

Hay quienes solo hablaban por hablar y tienen dudas
En las fiestas a las que llego, los músicos desaparecen
Se van deslizando como lagartos en la arena
Donde pasa la onza, el mono no pasea

Hay imitadores de trovadores que hablan lejos de mí
En mi repertorio no hay canciones feas
El holgazán que no crea se aburre pronto
Cerca del gavilán, los pajaritos no gorjean

Mi compañero y yo cantamos con humildad
El corazón puede ser duro con nuestros versos
Cuando cantamos, el rival se desconcierta
Cerca de la estrella del alba, ninguna otra estrella brilla

Escrita por: Décio dos Santos