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Bandera

Tibério Azul

Bandeira

Eu não quero ver você cuspindo ódio
Eu não quero ver você fumando ópio, pra sarar a dor
Eu não quero ver você chorar veneno
Não quero beber teu café pequeno
Eu não quero isso, seja lá o que isso for

Eu não quero aquele, eu não quero aquilo
Peixe na boca do crocodilo
Braço da Vênus de Milo acenando tchau

Não quero medir a altura do Tombo
Nem passar a gosto esperando Setembro
Se bem me lembro
O melhor futuro este hoje escuro
O maior desejo da boca é o beijo
Eu não quero ter o tejo escorrendo das mãos

Eu quero é Guanabara, eu quero Rio Nilo
Eu quero tudo ter estrela, flor, estilo
Tua língua em meu mamilo, água e sal

Nada tenho vez em quando tudo
E tudo quero mais ou menos quanto
Vida, vida nova esfora zero
Eu quero viver, eu quero ouvir, quero ver

Como ruído de chocalhos para além da curva da estrada, meus pensamentos são contentes
Só tenho pena de saber que eles são contentes, porque se eu não soubesse
Ao invés de serem contentes e tristes, seriam alegres e contentes
Pensar incomoda como andar a chuva quando o vento aumenta
E parece que chove mais, porque pensar é não compreender
O mundo não foi feito para pensarmos nele, mas para olharmos para ele
E estarmos de acordo, não tenho ambições nem desejos
Ser poeta não é uma ambição minha, ser poeta é a minha maneira de estar sozinho
E por isso eu nada, tenho, de vez enquanto tudo, e tudo quero mais ou menos quanto
Vida, vida nossa esfora zero, eu quero viver, eu quero ouvir, eu quero ver!

Nada tenho vez em quando tudo
E tudo quero mais ou menos quanto
Vida, vida nova esfora zero
Eu quero viver, eu quero ouvir, quero ver

Bandera

No quiero verte escupiendo odio
No quiero verte fumando opio para sanar el dolor
No quiero verte llorar veneno
No quiero beber tu café pequeño
No quiero eso, sea lo que sea

No quiero aquello, no quiero aquello otro
Pez en la boca del cocodrilo
Brazo de la Venus de Milo diciendo adiós

No quiero medir la altura de la caída
Ni esperar a gusto a septiembre
Si mal no recuerdo
El mejor futuro es este hoy oscuro
El mayor deseo de la boca es el beso
No quiero tener el Tajo escurriéndose de las manos

Quiero Guanabara, quiero Río Nilo
Quiero tener todo estrella, flor, estilo
Tu lengua en mi pezón, agua y sal

A veces no tengo nada, a veces todo
Y quiero más o menos cuanto
Vida, vida nueva esfuerzo cero
Quiero vivir, quiero escuchar, quiero ver

Como el ruido de campanas más allá de la curva del camino, mis pensamientos son felices
Solo lamento saber que son felices, porque si no lo supiera
En lugar de ser felices y tristes, serían alegres y felices
Pensar molesta como caminar bajo la lluvia cuando el viento aumenta
Y parece que llueve más, porque pensar es no comprender
El mundo no fue hecho para que pensemos en él, sino para mirarlo
Y estar de acuerdo, no tengo ambiciones ni deseos
Ser poeta no es una ambición mía, ser poeta es mi forma de estar solo
Y por eso no tengo nada, a veces todo, y quiero más o menos cuanto
Vida, vida nuestra esfuerzo cero, quiero vivir, quiero escuchar, quiero ver

A veces no tengo nada, a veces todo
Y quiero más o menos cuanto
Vida, vida nueva esfuerzo cero
Quiero vivir, quiero escuchar, quiero ver

Escrita por: Tibéiro Azul