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Belleza Asfixiante

Tom Drummond

Beleza Arfante

"Não é de uma beleza arfante
Mas sabe conquistar tão bem
Se perde entre mil amores
Mas nunca foi de mais ninguém

Enquanto a madrugada acende
Quando o outro rosto o sono tem
Desperta sem deixar vestígios
Pois não será de mais ninguém

Já lhe basta recobrar o que o tempo já levou
O que a beira do mar displicente atiçou
E num beijo só, sem motivo ou razão
Desmanchou os tantos truques
Que guardavam até então

Fez do seu olhar avidez e aflição
O silêncio a repartir
Se intercala aos risos que em vão

São tão presentes em lembrança
A ausência junto a eles vêm
As cenas que guarda consigo
Não podem ser de mais ninguém

Os tantos poucos bons poemas
A expressão que lhe convêm
As falas que viu no cinema
Não sabem distinguir ninguém

Se esse dom lhe traz abrigo
E invencível lhe mantém
Batalha contra quem lhe ama
Não é vencido por ninguém

Uma estrada sinuosa e a demora por chegar
Numa casa entre as serras esquecida por lá
Não lhe tinha o frio nem havia como ter
O outro corpo tão macio bem sabia aquecer

Não se lembra mais
Da paisagem em vastidão
Preferia se ater
Entre os sussurros que em vão

São tão presentes em lembrança
A ausência junto a eles vêm
As cenas que guarda consigo
Não podem ser de mais ninguém

Embora beire a loucura
E já repleto de desdém
Impõe a si essa procura
Que encerrará sem ter ninguém

Se apoia em feminis temores
Por nada a vida lhe detém
Não deve desvelar as dores
Que não terá por mais ninguém

Uma igreja pequenina e a tristeza que ele traz
O recanto onde o irmão descansava em paz
Se arrependeu do que não disse ao irmão
Que agora não iria ouvir a sete palmos desse chão

O que lhe consolou, lhe eximiu da frustração
Foi render-se a aquele olhar
Um olhar tão terno que em vão

É tão presente em lembrança
A ausência junto a ele vem
As cenas que guarda consigo
Não podem ser de mais ninguém

Embora lhe distraiam as dores
Temor que sempre lhe entretém
Espalha os mesmos vis temores
Que não deseja pra ninguém

Se fez refém de tanta mágoa
Magoa a quem lhe é refém
Se esforça pra que essa mágoa
Não se restrinja a mais ninguém"

Belleza Asfixiante

No es de una belleza asfixiante
Pero sabe conquistar tan bien
Se pierde entre mil amores
Pero nunca fue de nadie más

Mientras la madrugada se enciende
Cuando el otro rostro tiene sueño
Despierta sin dejar rastro
Pues no será de nadie más

Ya le basta recuperar lo que el tiempo se llevó
Lo que en el borde del mar displicente provocó
Y en un solo beso, sin motivo ni razón
Desarmó los tantos trucos
Que guardaban hasta entonces

Hizo de su mirada avidez y aflicción
El silencio que se comparte
Se intercala con risas en vano

Son tan presentes en el recuerdo
La ausencia viene junto a ellos
Las escenas que guarda consigo
No pueden ser de nadie más

Los pocos buenos poemas
La expresión que le conviene
Las palabras que vio en el cine
No saben distinguir a nadie

Si este don le brinda refugio
Y lo mantiene invencible
Lucha contra quien lo ama
No es vencido por nadie

Un camino sinuoso y la demora en llegar
En una casa entre las montañas olvidada allá
No tenía el frío ni cómo tenerlo
El otro cuerpo tan suave sabía calentar

Ya no recuerda
El paisaje en vastedad
Prefería aferrarse
Entre los susurros en vano

Son tan presentes en el recuerdo
La ausencia viene junto a ellos
Las escenas que guarda consigo
No pueden ser de nadie más

Aunque roce la locura
Y ya lleno de desdén
Se impone esta búsqueda
Que terminará sin tener a nadie

Se apoya en temores femeninos
Por nada la vida lo detiene
No debe revelar los dolores
Que no tendrá por nadie más

Una iglesia pequeña y la tristeza que trae
El rincón donde el hermano descansaba en paz
Se arrepintió de lo que no dijo al hermano
Que ahora no escucharía a siete palmos de esta tierra

Lo que lo consoló, lo eximió de la frustración
Fue rendirse a esa mirada
Una mirada tan tierna en vano

Es tan presente en el recuerdo
La ausencia viene junto a él
Las escenas que guarda consigo
No pueden ser de nadie más

Aunque las penas lo distraigan
El temor que siempre lo entretiene
Esparce los mismos vis temores
Que no desea para nadie

Se hizo prisionero de tanta amargura
Amarga a quien le es prisionero
Se esfuerza para que esa amargura
No se restrinja a nadie más

Escrita por: Tom Drummond