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Vendedor ambulante

Tom Zé

Camelô

Ó português, pare de uma vez
De se queixar assim
Da sua sorte ruim
Eu que sou filho daqui, sou camelô
E você vem das Portugas, querendo ser doutor

Mas que horror
Calcule só
O que é viver o tempo todo
Perseguido pelo rapa
Porque na hora da corrida
Quem não sabe usar as pernas
Vai ficar sem ter comida
E veja lá

Farinha seca quantas vezes me faltou
Carne na minha boia
É coisa rara, sim senhor
Lá em casa não tem água nas torneiras
E vá logo sabendo
Lá também não tem torneira

Não vou mais em festas
Casamento ou batizado
Pois o meu guarda-roupa
Anda um pouco desfalcado
E quando chega o carnaval tão animado
Pra comprar fantasia
Faço um abaixo-assinado
E ainda tem assinante
Que é na base do fiado

Vendedor ambulante

Oh portugués, deja de una vez
De quejarte así
De tu mala suerte
Yo que soy hijo de aquí, soy vendedor ambulante
Y tú vienes de Portugal, queriendo ser doctor

Pero qué horror
Imagina
Lo que es vivir todo el tiempo
Perseguido por la policía
Porque en la hora de la carrera
Quien no sabe usar las piernas
Se quedará sin comida
Y fíjate bien

La harina seca cuántas veces me faltó
Carne en mi plato
Es algo raro, sí señor
En mi casa no hay agua en las llaves
Y ve pronto sabiendo
Allí tampoco hay llave

Ya no voy a fiestas
Bodas o bautizos
Porque mi armario
Está un poco desfalcado
Y cuando llega el carnaval tan animado
Para comprar disfraces
Hago una colecta
Y aún hay firmantes
Que es a base de fiado

Escrita por: Tom Zé