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La Voz del Arbolado

Toni Val e Toni Cezar

A Voz do Arvoredo

Em minha casa
Bem pertinho da parede
Eu deitei na minha rede
Sob a sombra no quintal

De um arvoredo
Que demonstra muito triste
Porque nele o que existe
Eu aprendi muito mais

Naquela tarde
De verão e Sol ardente
Veio o sono e de repente
Sem querer adormeci

Sonhei que o galho
Do arvoredo conversava
E um deles reclamava
Apontando para mim

Dizendo, eu sofro
Ameaças todo dia
E não tenho companhia
Para minha proteção

Sou uma árvore
Mas que amo e tenho vida
E sempre sou destruída
Pelo homem, meu irmão

Eu sou alguém
Que enfeita a natureza
Sou o banco em sua mesa
Onde fica seu jantar

Sou sua amiga
Sou abrigo do roceiro
Faço sombras no terreiro
Para seu filho brincar

Eu sou seu leito
Sou seu berço, sou moldura
O suporte da pintura
E o pincel na sua mão

Eu sou a capa
E o miolo da revista
Além disso sou artista
Sou a grande inspiração

Provoco chuvas
Pra molhar a sua roça
E vocês não há quem possa
Fazer algo pra chover

Sou escolhida
Pela ave que gorjeia
Sou a viola que ponteia
Nos seus dias de lazer

Eu sou o filtro
Que respira e purifica
E o ar que prejudica
Poluído não é meu

Porque eu sou
Sua grande companheira
Sou a porta de madeira
Que protege o quarto seu

Você me corta
Me retalha e joga fora
Vem o fogo e me devora
Ninguém ouve a minha voz

É muito triste
Ver meu fim chegar tão perto
Transformando em deserto
O que Deus fez para nós

Ao despertar
Do meu sono tão profundo
Eu senti pena do mundo
Pelo verde que perdeu

Por tudo isso
Eu lamento e tenho medo
Porque sei que um arvoredo
É mais gente do que eu

La Voz del Arbolado

En mi casa
Justo al lado de la pared
Me acosté en mi hamaca
Bajo la sombra en el patio

De un arbolado
Que se ve muy triste
Porque en él lo que existe
Aprendí mucho más

En esa tarde
De verano y Sol ardiente
Vino el sueño y de repente
Sin querer me dormí

Soñé que la rama
Del arbolado conversaba
Y una de ellas se quejaba
Señalando hacia mí

Diciendo, yo sufro
Amenazas todos los días
Y no tengo compañía
Para mi protección

Soy un árbol
Pero que amo y tengo vida
Y siempre soy destruida
Por el hombre, mi hermano

Soy alguien
Que adorna la naturaleza
Soy el banco en tu mesa
Donde pones tu cena

Soy tu amiga
Soy refugio del campesino
Hago sombras en el patio
Para que tu hijo juegue

Soy tu lecho
Soy tu cuna, soy marco
El soporte de la pintura
Y el pincel en tu mano

Soy la portada
Y el contenido de la revista
Además soy artista
Soy la gran inspiración

Provoco lluvias
Para mojar tu campo
Y no hay quien pueda
Hacer algo para llover

Soy elegida
Por el ave que gorjea
Soy la guitarra que puntea
En tus días de ocio

Soy el filtro
Que respira y purifica
Y el aire que perjudica
Contaminado no soy yo

Porque yo soy
Tu gran compañera
Soy la puerta de madera
Que protege tu habitación

Tú me cortas
Me despedazas y tiras
Viene el fuego y me devora
Nadie escucha mi voz

Es muy triste
Ver mi fin llegar tan cerca
Convirtiendo en desierto
Lo que Dios hizo para nosotros

Al despertar
De mi sueño tan profundo
Sentí pena por el mundo
Por el verde que perdió

Por todo esto
Lamento y tengo miedo
Porque sé que un arbolado
Es más humano que yo

Escrita por: Zé da Praia