395px

Para Fines de Mercado

Toninho Borbo

Para Fins de Mercado

O dia na aldeia
Se joga o dado
Esse é o fato
De quem garante no braço viver
Nessa aldeia de sucesso e fracasso

Feito um molambo
Feito um escambo humano
Índio pós-catequizado
Que fica irado depois de saber
Que o seu viver é princípio motor
Para fins de mercado

Eu não quero emprego, não
Não, não, não, não, não
Eu não quero teu dinheiro
Pra poder ter sossego
Eu não vendo mais minhas mãos

O ódio na aldeia aumentou
Dobrou na esquina
Brechou na quina
Levando em baixo
Do braço o flagrante
Pra calar no berço
O que cresce pra o descaso

Que corre as vias
Das entranhas da periferia
Do barro batido, barraco
Que fica irado depois de saber
Que o seu viver é princípio motor
Para fins de mercado

Para Fines de Mercado

El día en la aldea
Se tira el dado
Ese es el hecho
De quien asegura vivir a pulso
En esta aldea de éxito y fracaso

Como un trapo viejo
Como un trueque humano
Indio post-catequizado
Que se enfurece al enterarse
Que su vivir es el motor principal
Para fines de mercado

No quiero trabajo, no
No, no, no, no, no
No quiero tu dinero
Para poder tener tranquilidad
No vendo más mis manos

El odio en la aldea aumentó
Dobló en la esquina
Miró de reojo en la esquina
Llevando abajo
Del brazo el flagrante
Para silenciar en la cuna
Lo que crece hacia el descuido

Que recorre las calles
De las entrañas de la periferia
Del barro golpeado, barraca
Que se enfurece al enterarse
Que su vivir es el motor principal
Para fines de mercado

Escrita por: Toninho Borbo