Noite Longa
Paro junto ao leito,
Fico a te fitar.
Calado então me deito
Evitando te acordar.
Trancadas no meu peito
Tantas coisas pra falar,
Sem ter um jeito
Ao menos de chorar.
Inquieto escuto
A noite a se escoar.
Minuto após minuto,
Pára e pinga devagar.
O peito irresoluto
Quer partir e quer ficar,
Sem ter um jeito
Ao menos de chorar.
Penso em ceder como cedi,
Viver de novo o que vivi,
Matar o orgulho e ser escravo teu.
Mas sem orgulho eu não sou eu.
Recomeçar desde o começo,
Pagar de novo o mesmo preço,
Ser teu senhor e ser escravo teu.
Como viver sem ti, se sou ninguém?
Mas sem orgulho eu não sou eu.
Noche Larga
Paro junto a la cama,
Te observo fijamente.
Luego me acuesto en silencio
Evitando despertarte.
Encerradas en mi pecho
Tantas cosas por decir,
Sin encontrar una manera
Al menos de llorar.
Inquieto escucho
La noche deslizarse.
Minuto tras minuto,
Se detiene y gotea lentamente.
El pecho irresoluto
Quiere partir y quedarse,
Sin encontrar una manera
Al menos de llorar.
Pienso en ceder como cedí,
Revivir lo que viví,
Matar el orgullo y ser tu esclavo.
Pero sin orgullo, no soy yo.
Recomenzar desde el principio,
Pagar de nuevo el mismo precio,
Ser tu dueño y ser tu esclavo.
¿Cómo vivir sin ti, si soy nadie?
Pero sin orgullo, no soy yo.
Escrita por: Paulo Vanzolini / Toquinho