Cantiga de Rei
Eu nasci numa palhoça, levei vida de caipira
Minha mãe me deu uma coça do galho de sucupira
Ando mesmo é de carroça, amarro a carça com imbira
Gosto é de morar na roça, e sou amigo do Zé Mira
Poeta caipira, madeira de lei, dançando catira, cantiga de rei
Poeta caipira, madeira de lei, dançando catira, cantiga de rei
Faço moda de viola, nunca fiz de encomenda
Se também já fui à escola, foi por causa da merenda
Ora frango com quiabo, ora angu com cambuquira
Se a enxada está longe do cabo, eu sou amigo do Zé Mira
Poeta caipira...
Eu nasci as quatro e meia, às cinco e meia eu perguntei
Onde andava o meu amor, às seis e meia eu encontrei
Já pesquei com linha grossa,nadei junto com as traíras
Já vi onça minha gente, outro amigo do Zé Mira
Poeta caipira...
Eu nasci numa palhoça, levei vida de caipira
Minha mãe me deu uma coça do galho de sucupira
Caminhei setenta légua, com a botina sem parmira
Hoje eu faço a minha entrega, na batida da catira
Poeta caipira...
Cantiga del Rey
Nací en una choza, viví como un campesino
Mi madre me dio una paliza con una rama de sucupira
Ando en carreta, amarro los pantalones con bejuco
Me gusta vivir en el campo, y soy amigo de Zé Mira
Poeta campesino, madera de ley, bailando catira, cantiga del rey
Poeta campesino, madera de ley, bailando catira, cantiga del rey
Hago canciones con la viola, nunca por encargo
Si también fui a la escuela, fue por la merienda
A veces pollo con quiabo, a veces angu con cambuquiras
Si la azada está lejos del mango, soy amigo de Zé Mira
Poeta campesino...
Nací a las cuatro y media, a las cinco y media pregunté
Dónde estaba mi amor, a las seis y media la encontré
Ya pesqué con anzuelo grueso, nadé junto a las traíras
Ya vi una onza, mi gente, otro amigo de Zé Mira
Poeta campesino...
Nací en una choza, viví como un campesino
Mi madre me dio una paliza con una rama de sucupira
Caminé setenta leguas, con las botas sin parmera
Hoy hago mi entrega, al ritmo de la catira
Poeta campesino...
Escrita por: Beto Quadros / Deo Lopes