Nos Bolsos
E antes que eu pudesse te contar
Da festa dos meus olhos ao te ver
Você entrou no carro e se foi
Perdida entre o asfalto e a neblina
Levando num canto do olho a purpurina
Que eu hesitei em tirar com a ponta do dedo
Que gosto tem o seu sorriso
Desabrochando branco e morno
Com dentes, lábios e segredos
Que pela cor das suas unhas curtas
Eu quase posso, posso decifrar?
Eu quase posso, decifrar. Ah me diz...
Meu maço de cigarros
E seu isqueiro azul turquesa
E um punhado de palavras que eu escolho
Cuidadosamente antes de lhe falar
Amontoando os meus desejos
Que eu nem sei em que bolsos colocar
Então não se perca de mim
Pede pro táxi retornar
E me pega ainda na mesa do bar
Escrevendo num guardanapo
Tudo que meus braços
Não conseguem comportar
Não conseguem comportar
Diz o que eu faço com seu rosto
Distante o suficiente do meu corpo
Para que o "sim" do seu nome seja um não?
Me encanta seu jeito leve de contar
Quantas vezes atravessou a rua
Antes de me encontrar
En Nuestros Bolsos
Y antes de que pudiera contarte
De la fiesta en mis ojos al verte
Entraste en el auto y te fuiste
Perdida entre el asfalto y la neblina
Llevando en una esquina del ojo el brillo
Que dudé en quitar con la punta del dedo
¿Qué sabor tiene tu sonrisa
Desplegándose blanca y cálida
Con dientes, labios y secretos
Que por el color de tus uñas cortas
Casi puedo, puedo descifrar?
Casi puedo, descifrar. Ah, dime...
Mi paquete de cigarrillos
Y tu encendedor azul turquesa
Y un puñado de palabras que elijo
Cuidadosamente antes de hablarte
Acumulando mis deseos
Que ni siquiera sé en qué bolsillos poner
Entonces no te pierdas de mí
Pide al taxi que regrese
Y recógeme aún en la mesa del bar
Escribiendo en una servilleta
Todo lo que mis brazos
No pueden contener
No pueden contener
¿Qué hago con tu rostro?
Lo suficientemente lejos de mi cuerpo
¿Para que el 'sí' de tu nombre sea un no?
Me encanta tu forma ligera de contar
¿Cuántas veces cruzaste la calle
Antes de encontrarme?
Escrita por: Daniela Abreu / Rodrigo Levino