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Gente

Um Trevo

Povo

Meu povo anda triste
De cabeça baixa
Acompanhando a marcha
Dos pés
Que sequer tocam o chão
E fingem se importar
Com o que o povo passa
Nessa procissão

Meu povo anda surdo
Ouve só o zunido
Das palavras de ordem
Que saem
Com a força da mão
O discurso ecoa
E os gritos de socorro
Ninguém ouve, não

Meu povo anda só, meu pai
Olha essa gente toda
Tanto barulho a toa
E o que eles dizem é em vão

Meu povo anda só, irmão
Vai e toma teu posto
Só não me dê o desgosto
De ser quem lava as mãos

Se fecham os olhos pra não ver o povo sério
Brincar de pata cega
E a prenda paga somos nós

Se fecham as bocas pra não enfiar palavras
Malditas, necessárias
Pra calar a nossa voz

Não estamos todos de luto?
Pela que se diz amada
Pelo filho revoluto
E pela filha desalmada

Me perguntam se ainda luto
Pela pátria mãe
Afundada
Nesse escarcéu

Acreditam ser impoluto
O individuo da cara pintada
Que carrega essa bandeira hasteada
Pelo céu

Se esconde e cobre a cara de vocês
Debaixo desse véu

Ai! Ai ai...

E pintam a cara de vocês
Com seis traços de pincel

Ai! Ai ai...

Enquanto as crianças brincam
Com o que restou do céu

Ah ah...

Não se ouve quem não pode ver
O amanhã nascer

Ah ah...

Não se ouve, nem se vê
Os seis traços de pincel

Ou o que sobrou no céu
Debaixo desse véu
E eles riem da cara de vocês....

E eles riem da cara de vocês
Debaixo desse véu

Gente

Mi gente anda triste
Con la cabeza gacha
Siguiendo el paso
De los pies
Que ni siquiera tocan el suelo
Y fingen preocuparse
Por lo que la gente pasa
En esta procesión

Mi gente anda sorda
Solo escucha el zumbido
De las consignas
Que salen
Con la fuerza de la mano
El discurso resuena
Y los gritos de auxilio
Nadie los escucha, no

Mi gente anda sola, papá
Mira a toda esta gente
Tanto ruido en vano
Y lo que dicen es en vano

Mi gente anda sola, hermano
Ve y toma tu lugar
Solo no me decepciones
Siendo quien se lava las manos

Cierran los ojos para no ver a la gente seria
Jugando a las escondidas
Y la prenda pagamos nosotros

Cierran las bocas para no decir palabras
Malditas, necesarias
Para silenciar nuestra voz

¿No estamos todos de luto?
Por la que se dice amada
Por el hijo rebelde
Y por la hija desalmada

Me preguntan si aún lucho
Por la patria madre
Hundida
En este caos

Creen que es impoluto
El individuo de la cara pintada
Que lleva esa bandera izada
En el cielo

Se esconde y cubre sus caras
Debajo de ese velo

¡Ay! ¡Ay ay...

Y pintan sus caras
Con seis trazos de pincel

¡Ay! ¡Ay ay...

Mientras los niños juegan
Con lo que queda del cielo

Ah ah...

No se escucha quien no puede ver
El amanecer

Ah ah...

No se escucha, ni se ve
Los seis trazos de pincel

O lo que quedó en el cielo
Debajo de ese velo
Y se ríen en sus caras...

Y se ríen en sus caras
Debajo de ese velo

Escrita por: Ana Bia