RETIRANTE
Calor dos diabos um sol de rachar
a garganta seca que chega a amargar,
Tá cansado de andar, mas não pára nem pra pensar,
Que desde que nasceu teve uma vida sofrida
Trabalhando duro em troca de comida
-O retirante, qual é a tua graça?
-O meu senhor, eu sou o João da Praça,
-Que acredito na sua promessa de melhora,
-Que vem de um povo que ainda espera e chora,
-CHORA!
Mas ele chora de raiva
Por que sabe que espera em vão
Nas costa a trouxa, na cintura o facão,
Na barriga fome e no coração!
A esperança!
De que tudo pode mudar!
-Mudar o que? Onde você pensa que vai chegar?
-O meu senhor, até onde minhas perna poder me levar.
-Se possível um pouquinho mais pra lá.
-O que não vai acontece é eu morrer aqui sem tentar
-ENTÃO EU VOU ME RETIRAR!
RETIRANTE
Calor infernal, un sol abrasador
la garganta reseca que amarga el sabor,
Está cansado de andar, pero no se detiene ni para pensar,
Que desde que nació tuvo una vida sufrida
Trabajando duro a cambio de comida
-El retirante, ¿cuál es tu gracia?
-Mi señor, yo soy Juan de la Plaza,
-Que creo en su promesa de mejora,
-Que viene de un pueblo que aún espera y llora,
-LLORA!
Pero llora de rabia
Porque sabe que espera en vano
En la espalda la carga, en la cintura el machete,
En el estómago hambre y en el corazón
¡La esperanza!
De que todo puede cambiar
-¿Cambiar qué? ¿A dónde crees que llegarás?
-Mi señor, hasta donde mis piernas puedan llevarme.
-Si es posible, un poco más allá.
-Lo que no va a suceder es que muera aquí sin intentarlo
-¡ENTONCES ME VOY A RETIRAR!
Escrita por: Chico / UMEAZERO