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Pálida

Vânia Bastos

Pálida

Eu andei a vida inteira assim
Cintilando em despedidas
Meu buquê de sempre-vivas
Ou de margaridas num eterno adeus
Sensitiva, crio talismãs
E não perco a alegria
Canto como um passarinho
E, se o ar me falta,
Compenso em carinho
Toda feita de nuances
Morro como as flores dentro de um romance
Pálida, cálida, angelical.
Gosto de brincar, tranço de luar
Mortalhas pro meu aconchego
Pois morrer mais cedo é um jeito de pedir ao medo
Pra me dar sossego

Passa da meia-noite
E eu sonhando vou decifrar
O que as constelações
Escrevem na escuridão
Lá do balé da luz
Vejo meu corpo adormecer
Cansada, só volto a mim
Na estrela do amanhecer

Sei que vivo de morrer
Por ter outra idéia na cabeça
De tanto brincar com a sorte
Pode ser que a morte canse e me esqueça.

Pálida

He vivido toda mi vida así
Destellando en despedidas
Mi ramo de siempre vivas
O de margaritas en un eterno adiós
Sensible, creo talismanes
Y no pierdo la alegría
Canto como un pajarito
Y, si me falta el aire,
Compensaré con cariño
Hecha de matices
Muero como las flores dentro de un romance
Pálida, cálida, angelical.
Me gusta jugar, tejo de luna
Sudarios para mi confort
Pues morir temprano es una forma de pedirle al miedo
Que me dé paz

Pasa de la medianoche
Y soñando voy a descifrar
Lo que las constelaciones
Escriben en la oscuridad
Desde el ballet de la luz
Veo mi cuerpo dormirse
Cansada, solo vuelvo a mí
En la estrella del amanecer

Sé que vivo de morir
Por tener otra idea en la cabeza
De tanto jugar con la suerte
Puede ser que la muerte se canse y me olvide.

Escrita por: Aldir Blanc / Tavito