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Avaricia

Vicente Pascale

Ganância

A madrugada
É fria
Não sinto seu
Corpo colado
Ao meu

Somos dua
Paralelas
Nunca quê
Eu vou ti
Encontrar

Você vai pro norte
E eu indo pro sul
Um povo ferido
Você vai encontrar

A mata ardendo
De fome e o povo
Querendo ouro

Cravado nos dentes
Dos madeireiros
Dos garimpeiros
Dos grileiros

Os índios morrendo
De fome bebendo
Cachaça que um
Branco lhe deu

O cheiro é de
Podridão
Cacique não manda
Em nada, governo
Não da condição

Ganância por
Pura razão que diz
Vou deixar meu
Legado não levo
Nada pro outro
Lado, não levo

Nada pro outro
Lado, até meus
Dentes serão
Roubados de
Quem eu enganei
De quem eu enganei

Avaricia

La madrugada
Es fría
No siento tu
Cuerpo pegado
Al mío

Somos dos
Paralelas
Nunca sé
Que te voy a
Encontrar

Tú vas al norte
Y yo voy al sur
Un pueblo herido
Te encontrarás

La selva ardiendo
De hambre y la gente
Queriendo oro

Clavado en los dientes
De los madereros
De los buscadores de oro
De los invasores de tierras

Los indígenas muriendo
De hambre bebiendo
Cachaça que un
Blanco les dio

El olor es de
Putrefacción
El cacique no manda
En nada, el gobierno
No da condición

Avaricia por
Pura razón que dice
Voy a dejar mi
Legado no llevo
Nada al otro
Lado, no llevo

Nada al otro
Lado, hasta mis
Dientes serán
Robados de
Quien engañé
De quien engañé

Escrita por: Vicente Pascale