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Carambola

Victor Mus

Carambola

Fruto de beira de estrada
Colhido ao pé do ouvido
Sem medo desse precipício
Na ponta da tua língua
Chovo temporal e colho choro e beijo teu

Planto semente da gente só pra tu brotar comigo
Você toda hipotenusa
Et eu nem meio cateto consigo
Voo com a luz pra relativizar você aqui
Quem sabe eu não precise aceitar

Que você se foi
Não pense em voltar atrás
Que a saudade que eu guardei
Não é muita, mas já satisfaz
E faz lembrar
Que já passou

Tempo danado de pouco que deu pra te tatear
Mundo danado de louco te trouxe e levou, sei lá
Pra longe daqui, onde eu não sou tão seu assim
Casa de palha, a vida assobia e bota abaixo
Mesmo amarrando meu peito no teu
Nosso nó foi fraco
Tanto que já deu pra entender
que tenho que aceitar
Que tenho que entender e que aceitar

Que você se foi
Não pense em voltar atrás
Que a saudade que eu guardei
Não é muita, mas já satisfaz
E faz lembrar
Que já passou

Sou um oceano cercado por ventos opostos
Por tempos dispostos a se contradizer
Cada segundo ser um ano inteiro
Sou um oceano cercado por poetas mortos
Por templos e portos por onde eu fiz leito
E hoje eu aceito

Que você se foi
Não pense em voltar atrás
Que a saudade que eu guardei
Não é muita, mas já satisfaz
E faz lembrar
Que já passou

Carambola

Fruto de la orilla de la carretera
Recogido al oído
Sin miedo a este precipicio
En la punta de tu lengua
Llueve temporal y recojo llanto y beso tuyo

Siembro semilla de la gente solo para que brotes conmigo
Tú toda hipotenusa
Y yo ni medio cateto logro
Vuelo con la luz para relativizarte aquí
Quién sabe si no necesito aceptar

Que te has ido
No pienses en volver atrás
Que la añoranza que guardé
No es mucha, pero ya satisface
Y hace recordar
Que ya pasó

Tiempo maldito de poco que dio para explorarte
Mundo maldito de loco te trajo y se llevó, quién sabe
Lejos de aquí, donde no soy tan tuyo así
Casa de paja, la vida silba y derriba
Aunque ate mi pecho al tuyo
Nuestro nudo fue débil
Tanto que ya entendí
Que tengo que aceptar
Que tengo que entender y aceptar

Que te has ido
No pienses en volver atrás
Que la añoranza que guardé
No es mucha, pero ya satisface
Y hace recordar
Que ya pasó

Soy un océano rodeado de vientos opuestos
Por tiempos dispuestos a contradecirse
Cada segundo es un año entero
Soy un océano rodeado de poetas muertos
Por templos y puertos por donde hice lecho
Y hoy acepto

Que te has ido
No pienses en volver atrás
Que la añoranza que guardé
No es mucha, pero ya satisface
Y hace recordar
Que ya pasó

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