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A medias tintas

Vila Esperança

Meia Boca

Eu nasci pequenininho
Quase invisível
Mesmo assim eu sempre fui
Um bebezinho terrível

Meu bercinho
Era o tênis do papai
Meu esporte era
Alpinista de bonsai

Eu cresci e continuei
Um cara miudinho
Um adolescente estranho
Um grande baixinho

Foi quando eu faturei
O meu primeiro salário
Trabalhando como
Salva-vida de aquário

Meia Boca, meia pataca
De meia tigela paga meia entrada
Meia Boca é meu camarada

Meia soquete, meia dúzia
Meia noite, meia porção
Meia Vila ou meio vilão

Mais tarde eu encontrei
A minha profissão:
Assistente de bandido
Auxiliar de ladrão

No Muquifo eu virei até
Um maravilhoso
Limpador de rodapé

O meu Mestre é um gênio
Do crime e do mal
Mas sou eu que faço todo
Trabalho braçal

Surfista de microondas
Explorador de grama
Anãozinho de jardim
Piloto de autorama

Meia Boca, meia pataca...

Meia soquete...

A medias tintas

Nací chiquitito
Casi invisible
Aun así siempre fui
Un bebé terrible

Mi cuna
Era la zapatilla de papá
Mi deporte era
Alpinista de bonsái

Crecí y seguí siendo
Un tipo pequeñito
Un adolescente extraño
Un gran enano

Fue cuando cobré
Mi primer salario
Trabajando como
Salvavidas de acuario

A medias tintas, a medias moneda
De medio pelo paga medio boleto
A medias tintas es mi compadre

Medio calcetín, media docena
Medianoche, media porción
Medio pueblo o medio villano

Más tarde encontré
Mi profesión:
Asistente de bandido
Auxiliar de ladrón

En el tugurio incluso llegué a ser
Un maravilloso
Limpiador de zócalos

Mi Maestro es un genio
Del crimen y del mal
Pero soy yo quien hace
Todo el trabajo pesado

Surfista de microondas
Explorador de césped
Enanito de jardín
Piloto de autitos

A medias tintas, a medias moneda...

Medio calcetín...

Escrita por: Fernando Salém / Thiago Chasseraux