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Quién Sabe Frevo

Vinícius Barros

Quem Sabe Frevo

Dizem as más línguas que eu caduquei
Que fali com a rosenblit
Dizem que eu desatualizei
E que ninguém me entende mais
Dizem até que eu nunca prestei
Porque eu sou filho do carnaval
E que o horário nobre da programação
Não tem espaço pra artista local
E que eu to fora da articulação
Da cena pop intelectual

Ano que vem vou experimentar gravar um frevo de protesto social
Pra lançar depois do carnaval e ver se rola um novo lance autoral
Eu até pensei em samplear um batidão tecno-frevo do pará
Ou entrar na onda do axé, chamar até o luís caldas pra gravar

Eu até pensei em me encaixar nessa tendência nacional de criação
Mas não quero tchu nem quero tchá nem sei fazer o lê lê lê com perfeição
Mas por ser artista popular vou implorar pra tocar na televisão
Ou acho que é melhor me contentar se a mulata vir frevar no meu caixão

Há quem diga que o melhor caminho é fazer arte prum público elitista
E classificar o que se faz de produção indie cult pós modernista
Pode até cantar desafinado só não pode perder a pose de artista
No loop de um frevo sintetizado estilo capiba neo tropicalista

Essa nova de ser patrimônio mundial pode até me dar moral
Pra multiplicar o capital que arrecadei com esse cachê do carnaval
E então pensei em contratar alguma dessas mulher fruta pra dançar
E me arriscar a ensinar o basicão: ponta do pé calcanhar.

Quién Sabe Frevo

Dícen las malas lenguas que me volví loco
Que hablé con la rosenblit
Dicen que me quedé desactualizado
Y que ya nadie me entiende
Incluso dicen que nunca fui bueno
Porque soy hijo del carnaval
Y que el horario estelar de la programación
No tiene espacio para artistas locales
Y que estoy fuera de la articulación
De la escena pop intelectual

El próximo año voy a intentar grabar un frevo de protesta social
Para lanzar después del carnaval y ver si surge una nueva propuesta autoral
Incluso pensé en samplear un batidão tecno-frevo de Pará
O unirme a la onda del axé, invitar incluso a Luís Caldas para grabar

Incluso pensé en encajar en esta tendencia nacional de creación
Pero no quiero tchu ni tchá, ni sé hacer el lê lê lê a la perfección
Pero por ser un artista popular, voy a rogar por tocar en la televisión
O tal vez es mejor conformarme si la mulata viene a bailar en mi ataúd

Hay quienes dicen que el mejor camino es hacer arte para un público elitista
Y clasificar lo que se hace como producción indie cult posmodernista
Puede que cante desafinado, pero no puedo perder la pose de artista
En el loop de un frevo sintetizado al estilo de Capiba neo tropicalista

Esta idea de ser patrimonio mundial incluso podría darme prestigio
Para multiplicar el capital que gané con este caché del carnaval
Y entonces pensé en contratar alguna de esas mujeres fruta para bailar
Y arriesgarme a enseñar lo básico: punta del pie, talón.

Escrita por: Vinicius Barros