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Ou Não

Vinicius Calderoni

Ou Não

Se uma caneta cair neste instante aos seus pés
E algum satélite a esmo essa imagem captar
Tenha absoluta certeza de que amanhã ela vai figurar
Nas páginas das redes sociais
Em mil reprises nos telejornais
Impressa em um flyer que você recebe num bar
Ou na pilha de e-mails a encaminhar
Mas depois, amanhã, nunca mais.

Olhe bem
Veja o degelo das calotas do desdém
Que abriu pandora e agora
Pode ser por mal ou ser por bem
Planos pra depois do vendaval

Yes we can!
Suave na nave sem vacilo e sem vintém
E não tem trave embora
Agora o trem da história já partiu
Ache a sua própria condução

Pois agulha nunca vai faltar
Para injetar mais caos no caos
Ou não

Olhe só
O nanodesespero de voltar ao pó
E a macroeconomia cheia de indecências cambiais
Para engrandecer os campeões

Onde estou?
Arroba Deus que me dê forças ponto com
E até os fodidos da cabeça sabem recitar de cor
Que de muito antes vem o nó.

Mas enquanto o ocidente cai
Ficam para nós questões vitais tais

Será que vai chover agora?
Deitar e dar um rolê lá fora?
Trepar ou ver tv de peignoir?

Pra já ou no cartão sem juros?
Com mel, gelo e limão ou puro?
Comprar um novo apê ou um all star?

Ou Não

Si en este momento una pluma cae a tus pies
Y algún satélite al azar captura esa imagen
Ten la absoluta certeza de que mañana aparecerá
En las páginas de las redes sociales
En mil repeticiones en los noticieros
Impresa en un volante que recibes en un bar
O en la pila de correos por enviar
Pero luego, mañana, nunca más.

Mira bien
Observa el deshielo de los casquetes del desdén
Que abrió la caja de Pandora y ahora
Puede ser por mal o por bien
Planes para después de la tormenta

¡Sí se puede!
Suave en la nave sin titubeos y sin un centavo
Y no hay obstáculos aunque
Ahora el tren de la historia ya partió
Encuentra tu propio camino

Porque nunca faltará la aguja
Para inyectar más caos en el caos
O no

Mira nada más
El nanodesespero de volver al polvo
Y la macroeconomía llena de indecencias cambiarias
Para engrandecer a los campeones

¿Dónde estoy?
Arroba Dios que me dé fuerzas punto com
Y hasta los jodidos de la cabeza saben recitar de memoria
Que mucho antes viene el nudo.

Pero mientras occidente cae
Quedan para nosotros cuestiones vitales tales

¿Será que va a llover ahora?
¿Acostarse y dar una vuelta afuera?
¿Trepando o viendo tv en bata?

¿Para ya o a plazos sin intereses?
¿Con miel, hielo y limón o puro?
¿Comprar un nuevo departamento o unas zapatillas All Star?

Escrita por: Tó Brandileone / Vinicius Calderoni