Conjugação da Ausente
Foram precisos mais dez anos e oito quilos
Muitas cãs e um princípio de abdômen
(Sem falar na Segunda Grande Guerra, na descoberta da penicilina e na desagregação do átomo)
Foram precisos dois filhos e sete casas
(Em lugares como São Paulo, Londres, Cascais, lpanema e Hollywood)
Foram precisos três livros de poesia e uma operação de apendicite
Algumas prevaricações e um exequatur
Fora preciso a aquisição de uma consciência política
E de incontáveis garrafas; fora preciso um desastre de avião
Foram precisas separações, tantas separações
Uma separação...
Tua graça caminha pela casa
Moves-te blindada em abstrações, como um T. Trazes
A cabeça enterrada nos ombros qual escura
Rosa sem haste. És tão profundamente
Que irrelevas as coisas, mesmo do pensamento.
A cadeira é cadeira e o quadro é quadro
Porque te participam. Fora, o jardim
Modesto como tu, murcha em antúrios
A tua ausência. As folhas te outonam, a grama te
Quer. És vegetal, amiga...
Amiga! direi baixo o teu nome
Não ao rádio ou ao espelho, mas à porta
Que te emoldura, fatigada, e ao
Corredor que pára
Para te andar, adunca, inutilmente
Rápida. Vazia a casa
Raios, no entanto, desse olhar sobejo
Oblíquos cristalizam tua ausência.
Vejo-te em cada prisma, refletindo
Diagonalmente a múltipla esperança
E te amo, te venero, te idolatro
Numa perplexidade de criança.
E no entanto avistava à poucos passos
Sua forma feminina que não era
Nenhuma outra forma feminina, mas a dela
A mulher amada
Conjugación de la Ausente
Fueron necesarios diez años más y ocho kilos
Muchas canas y un principio de abdomen
(Sin mencionar la Segunda Gran Guerra, el descubrimiento de la penicilina y la desintegración del átomo)
Fueron necesarios dos hijos y siete casas
(En lugares como São Paulo, Londres, Cascais, Ipanema y Hollywood)
Fueron necesarios tres libros de poesía y una operación de apendicitis
Algunas prevaricaciones y un exequátur
Fue necesaria la adquisición de una conciencia política
Y de incontables botellas; fue necesario un desastre de avión
Fueron necesarias separaciones, tantas separaciones
Una separación...
Tu gracia camina por la casa
Te mueves blindada en abstracciones, como un T. Traes
La cabeza enterrada en los hombros como una oscura
Rosa sin tallo. Eres tan profunda
Que desatiendes las cosas, incluso del pensamiento.
La silla es silla y el cuadro es cuadro
Porque te participan. Afuera, el jardín
Modesto como tú, marchita en anturios
Tu ausencia. Las hojas se te otoñan, el pasto te
Quiere. Eres vegetal, amiga...
¡Amiga! diré bajo tu nombre
No a la radio o al espejo, sino a la puerta
Que te enmarca, fatigada, y al
Pasillo que se detiene
Para andarte, encorvada, inútilmente
Rápida. Vacía la casa
Rayos, sin embargo, de esa mirada sobrante
Oblicuos cristalizan tu ausencia.
Te veo en cada prisma, reflejando
Diagonalmente la múltiple esperanza
Y te amo, te venero, te idolatro
En una perplejidad de niño.
Y sin embargo avistaba a pocos pasos
Su forma femenina que no era
Ninguna otra forma femenina, sino la de ella
La mujer amada
Escrita por: Vinícius de Moraes