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Galo

Vulgo Qinho & Os Cara

Galo

Minha janela não tem
Pão de açúcar ou corcovado
O meu maior vizinho
É o cantagalo

Me misturo
Caio dentro
Faço o meio-campo
Tô a margem
Tô por dentro da cidade
Minha janela não tem
Pão de açúcar ou corcovado
Meu maior vizinho
É o cantagalo

Me misturo
Caio dentro
Faço o meio-campo
Tô a margem
Tô por dentro da cidade

E nunca me contento

*poema*
Das rachaduras da cidade
Traço retas linhas feições
Das rajadas de metralhadora
Extraio poesia perversões

Num guardanapo sujo
Um traço e um garrancho
Dão o tom de esperança
Amanhã será melhor

Fotos se desprendem da memória
Pneu velho queima mais devagar
Quantos amigos já morreram
O que há pra comemorar

Partes de uma cidade
Falling apart
Coloco-me a parte

Rasgo o poema em dois
Por entre os prédios admiro a paisagem

Preso na parede
Do pouco que me resta
É o guardanapo sujo que me faz sorrir
Ao acordar

Galo

Mi ventana no tiene
Pan de azúcar ni corcovado
Mi vecino más grande
Es el cantagalo

Me mezclo
Caigo dentro
Hago de mediocampista
Estoy al margen
Estoy dentro de la ciudad

Mi ventana no tiene
Pan de azúcar ni corcovado
Mi vecino más grande
Es el cantagalo

Me mezclo
Caigo dentro
Hago de mediocampista
Estoy al margen
Estoy dentro de la ciudad

Y nunca me conformo

*poema*
De las grietas de la ciudad
Dibujo líneas rectas facciones
De los disparos de ametralladora
Extraigo poesía perversiones

En una servilleta sucia
Un trazo y un garabato
Dan el tono de esperanza
Mañana será mejor

Fotos se desprenden de la memoria
Llanta vieja arde más lento
Cuántos amigos han muerto
Qué hay para celebrar

Partes de una ciudad
Desmoronándose
Me coloco a un lado

Rasgo el poema en dos
Entre los edificios admiro el paisaje

Atrapado en la pared
De lo poco que me queda
Es la servilleta sucia la que me hace sonreír
Al despertar

Escrita por: Qinho, Omar Salomão