Licença Pra Um Missioneiro
Abro meu peito cantando, amigos, prestem atenção
Quem nasceu como eu nasci, no berço da tradição
Defende a poesia xucra com alma e com devoção
Sou gaúcho missioneiro e morro pelo meu chão
Sou gaúcho missioneiro e morro pelo meu chão
Peço licença e entendam meu linguajar de xirú
Que, às vezes, canta solito, bem como faz o Nambú
E quando arrepia o pelo é pior que touro Zebu
Alma de guasca trançada com tentos de couro crú
Alma de guasca trançada com tentos de couro crú
Quando longe do Rio Grande, meu velho berço estimado
Até parece que escuto, de longe, o berro do gado
Tenho ganas de gritar que eu sou cria desse estado
Que nasci lá nas missões e, nas missões, fui criado
É o amor xucro que tenho por este chão Colorado
O meu orgulho é ser parte da terra que me gerou
Ser amigo dos amigos, como meu pai me ensinou
Pelear, correr carreiras como meu avô peleou
Sem nunca negar o sangue que a tradição me negou
E nem a marca coqueiro de missioneiro que sou
Permiso para un misionero
Abro mi pecho cantando, amigos, presten atención
Quien nació como yo, en la cuna de la tradición
Defiendo la poesía rústica con alma y devoción
Soy gaúcho misionero y muero por mi tierra
Soy gaúcho misionero y muero por mi tierra
Pido permiso y entiendan mi lenguaje campero
Que, a veces, canta solo, como lo hace el Nambú
Y cuando se me eriza el pelo es peor que un toro Zebu
Alma de gaucho trenzada con rebenques de cuero crudo
Alma de gaucho trenzada con rebenques de cuero crudo
Cuando lejos del Río Grande, mi vieja cuna querida
Parece que escucho, a lo lejos, el mugido del ganado
Tengo ganas de gritar que soy hijo de esta provincia
Que nací en las misiones y fui criado en las misiones
Es el amor rústico que tengo por esta tierra Colorada
Mi orgullo es ser parte de la tierra que me dio vida
Ser amigo de los amigos, como mi padre me enseñó
Pelea, correr carreras como mi abuelo peleó
Sin negar nunca la sangre que la tradición me dio
Y ni la marca de coqueiro de misionero que soy
Escrita por: Pedro Ortaça