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Herencia de Tropero

Walther Morais

Herança de Tropeiro

Quando me paro a pensar
Sentado sobre o oitão
Eu olho pra minha estampa
E escuto meu coração

Enquanto sorvo meu mate
A tarde deita nos cerros
Eu sigo o rumo das tropas
E o badalar dos cincerros

Eu tenho o campo e tanta estrada nos meus olhos
Eu vim da terra, sou campeiro igual meu pai
Abri picadas a facão e a machado
Buscando tropas lá pras bandas do Uruguai

Chapéu bem grande e botas fole de gaita
Faca coqueiro que comprei lá nas Missões
Um bom cavalo, companheiro de jornadas
Raça gaucha promovendo integrações

Eu desbravei as serranias desta terra
Levando mulas pra feiras de Sorocaba
Eu sou tão simples e não sei contar vantagem
Porque o gaúcho bem consciente não se gaba

Passei a nado as águas do Rio Pelotas
Tantas façanhas que nunca mais esqueci
E, quando penso nessa herança de tropeiro
Monto um cavalo e retorno a ser guri

Eu sou pampeano, sou serrano, eu sou gaúcho
Sou pêlo duro, sou nativo, sou do sul
Bombacha larga tipo os quadros do Berega
A noite chega, me tapo de céu azul
Bombacha larga tipo os quadros do Berega
A noite chega, me tapo de céu azul

Até os pinheiros onde fiz acampamento
Vão se espichando como a procurar por mim
Eu aproveito esta hora de descanso
E deixo a alma pastoreando no capim

A gralha azul me fez mudar de pensamento
Trazendo a imagem perfumada da emoção
Daquela prenda caborteira e muito bela
Levou com ela o meu gaúcho coração

Eu sou pampeano, sou serrano, eu sou gaúcho
Sou pêlo duro, sou nativo, sou do sul
Bombacha larga tipo os quadros do Berega
A noite chega, me tapo de céu azul
Bombacha larga tipo os quadros do Berega
A noite chega, me tapo de céu azul

Herencia de Tropero

Cuando me detengo a pensar
Sentado sobre el muro
Miro mi figura
Y escucho mi corazón

Mientras sorbo mi mate
La tarde se acuesta en los cerros
Sigo el rumbo de las tropas
Y el sonido de las campanas

Tengo el campo y tantos caminos en mis ojos
Vengo de la tierra, soy tropero como mi padre
Abrí senderos a machete y hacha
Buscando tropas por los lados de Uruguay

Sombrero bien grande y botas de acordeón
Cuchillo de palmera que compré en las Misiones
Un buen caballo, compañero de jornadas
Raza gaucha promoviendo integraciones

Abrí las serranías de esta tierra
Llevando mulas a ferias de Sorocaba
Soy tan sencillo y no sé presumir
Porque el gaucho consciente no se jacta

Cruzé a nado las aguas del Río Pelotas
Tantas hazañas que nunca olvidé
Y, al pensar en esta herencia de tropero
Monto a caballo y vuelvo a ser chico

Soy pampeano, soy serrano, soy gaucho
Soy duro, soy nativo, soy del sur
Bombacha ancha como los cuadros de Berega
Llega la noche, me cubro con el cielo azul
Bombacha ancha como los cuadros de Berega
Llega la noche, me cubro con el cielo azul

Hasta los pinos donde acampé
Se extienden como buscándome
Aprovecho esta hora de descanso
Y dejo el alma pastoreando en el pasto

La urraca azul cambió mi pensamiento
Trajo la imagen perfumada de la emoción
De aquella prenda campesina y muy bella
Se llevó consigo mi corazón gaucho

Soy pampeano, soy serrano, soy gaucho
Soy duro, soy nativo, soy del sur
Bombacha ancha como los cuadros de Berega
Llega la noche, me cubro con el cielo azul
Bombacha ancha como los cuadros de Berega
Llega la noche, me cubro con el cielo azul

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