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Negro Som (part. Alves, Xaral 69 e Eliézer $F)

Wandrey

Negro Som (part. Alves, Xaral 69 e Eliézer $F)

Quem sabe se eu não usasse o meu capuz
E apagasse o alvo do meu coração
Sua decisão seria outra e eu ainda estaria aqui?
Se não caçassem os meus, se não matassem os meus
Se houvesse uma chance de me proteger

Mais um sonho interrompido, nos matando todo dia
Me sinto num labirinto e nunca encontro a saída
Porque a unica saída porque é uma bala perdida
Sem nem mesmo um motivo, eles tiram minha vida

Eu só quero e ser feliz
Paz pra todos os irmãos black
Que eles não me matassem só pela cor da minha pele
Eu só queria ser feliz
Paz pra todos os irmãos black
Que eles não me alvejassem só pela cor da minha pele

Eu sou mais um preto e sou foda
Não posso fazer nada se meu jeito te incomoda

Quem sabe se eu não usasse o meu capuz
E apagasse o alvo do meu coração
Sua decisão seria outra e eu ainda estaria aqui?
Se não caçassem os meus, se não matassem os meus
Se houvesse uma chance de me proteger

Mais um negro assassinado
Mais um preto baleado
Mais um ser sequestrado
Mais um, morreu um favelado
Não é invenção mística
Isso é estatística
Vinte e três minutos, morre um negro
Isso é balística

É a favor da lei de arma
Mas é contra a educação
Só a lei-tura que muda
Cadê a avocação?
É quando a creche tá cheia e, a casa, vazia
É quando a escola tá cheia e só tem alegria
É que eles agem, nos matam como se fosse selvagem
Quem diria que uma mina de oito anos morreria?
Eles matam Ágathas pra não se criar Marielles
Me diz: Qual o motivo?
É a cor da pele
Vai, pretin, vai fazer a revolução
Porque se depender deles, você nem tem direito à respiração

Quem sabe se eu não usasse o meu capuz
E apagasse o alvo do meu coração
Sua decisão seria outra e eu ainda estaria aqui
Se não caçassem os meus, se não matassem os meus
Se houvesse uma chance de me proteger

Querem que eu fique em casa
Que minha mãe limpe o seu chão
Que eu deixe de ir ao show do Racionais
Que eu morra ou que apodreça na prisão
A culpa no final sempre cai sobre mim
Outra vez mais um neguin vai ter que pedir perdão
Por andar por aí portando meu guarda-chuva
Perdão!
Por, sem querer, deixar cair minha mochila
Perdão!
Por ser o alvo da sua bala perdida num beco sem saída
Por favor, eu quero viver!

Como explicar trinta tiros num carro de família?
Como explicar uma criança morta pela polícia?
O dia passa, a noite passa e não sara a ferida no peito
De quem perdeu um ente querido na vida
Eles só querem grana, luxo, grana e mais grana
Ainda tem corpos perdidos embaixo da lama
Seu desrespeito alimenta um ódio, que não cura
De mais um jovem negro, submetido à tortura

Quem sabe se eu não usasse o meu capuz
E apagasse o alvo do meu coração
Sua decisão seria outra e eu ainda estaria aqui?
Se não caçassem os meus, se não matassem os meus
Se houvesse uma chance de me proteger

Negro Som (part. Alves, Xaral 69 e Eliézer $F)

Quién sabe si no usara mi capucha
Y borrara el blanco de mi corazón
¿Sería diferente tu decisión y seguiría aquí?
Si no cazaran a los míos, si no mataran a los míos
Si hubiera una oportunidad de protegerme

Otro sueño interrumpido, matándonos cada día
Me siento en un laberinto y nunca encuentro la salida
Porque la única salida es una bala perdida
Sin siquiera un motivo, me quitan la vida

Solo quiero ser feliz
Paz para todos los hermanos negros
Que no me maten solo por el color de mi piel
Solo quería ser feliz
Paz para todos los hermanos negros
Que no me disparen solo por el color de mi piel

Soy otro negro y soy genial
No puedo hacer nada si mi forma te molesta

Quién sabe si no usara mi capucha
Y borrara el blanco de mi corazón
¿Sería diferente tu decisión y seguiría aquí?
Si no cazaran a los míos, si no mataran a los míos
Si hubiera una oportunidad de protegerme

Otro negro asesinado
Otro negro baleado
Otro ser secuestrado
Otro, murió un favelado
No es una invención mística
Es estadística
Veintitrés minutos, muere un negro
Eso es balística

Está a favor de la ley de armas
Pero en contra de la educación
Solo la lectura que cambia
¿Dónde está la vocación?
Cuando la guardería está llena y la casa vacía
Cuando la escuela está llena y solo hay alegría
Es cuando actúan, nos matan como si fuéramos salvajes
¿Quién diría que una niña de ocho años moriría?
Matan a Ágathas para que no haya más Marielles
Dime: ¿Cuál es el motivo?
Es el color de la piel
Ve, negrito, ve y haz la revolución
Porque si depende de ellos, ni siquiera tienes derecho a respirar

Quién sabe si no usara mi capucha
Y borrara el blanco de mi corazón
¿Sería diferente tu decisión y seguiría aquí?
Si no cazaran a los míos, si no mataran a los míos
Si hubiera una oportunidad de protegerme

Quieren que me quede en casa
Que mi madre limpie tu piso
Que deje de ir al show de los Racionais
Que muera o que pudra en la cárcel
La culpa siempre cae sobre mí al final
Otra vez más, un negrito tendrá que pedir perdón
Por andar por ahí llevando mi paraguas
¡Perdón!
Por dejar caer mi mochila sin querer
¡Perdón!
Por ser el blanco de tu bala perdida en un callejón sin salida
¡Por favor, quiero vivir!

¿Cómo explicar treinta disparos en un auto familiar?
¿Cómo explicar a un niño muerto por la policía?
El día pasa, la noche pasa y la herida en el pecho no sana
De quien perdió a un ser querido en la vida
Solo quieren dinero, lujo, dinero y más dinero
Aún hay cuerpos perdidos bajo el lodo
Tu falta de respeto alimenta un odio que no sana
De otro joven negro sometido a la tortura

Quién sabe si no usara mi capucha
Y borrara el blanco de mi corazón
¿Sería diferente tu decisión y seguiría aquí?
Si no cazaran a los míos, si no mataran a los míos
Si hubiera una oportunidad de protegerme

Escrita por: MANO ALVES / Wandrey