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Caboclinha

Wilson Dias

Caboclinha

Bem ti vi chegando sandália arrastando
Bem ti vi sorrindo bem ti vi me olhando
Beleza igual eu não conhecia
Eu nem queria olhar mas os zói queria

Trazia dentro dos zóio dois favim de mé de abeia
Os cabelo enfeitado com uma rosa vermeia
Cumpadi aqueles dois zóio eu confesso a vosmicê
Roía a gente por dentro que nem dois caxinguelê

A pele era bem corada e nem usava pintura
Mais bela que a sabatella sem arrochar a cintura
Amigo aqueles dois zóio brilhava como luar
Vinha pra riba da gente tale quale dois marruá

Os cabelo cacheado era coisa naturá
Cheirava alecrim do campo quando começa florar
Os pezinho da cabocla dançando ao som da viola
Um enxerido gritava valei-me nossa senhora

Caboclinha

Bem ti vi llegando, sandalias arrastrando
Bem ti vi sonriendo, bien ti vi mirándome
Una belleza que no conocía
No quería mirar, pero los ojos querían

Tenía en sus ojos dos destellos de miel de abeja
El cabello adornado con una rosa roja
Compadre, esos dos ojos, lo confieso ante usted
Nos devoraban por dentro como dos caxinguelês

La piel era muy sonrosada y no usaba maquillaje
Más hermosa que la sabatella sin apretar la cintura
Amigo, esos dos ojos brillaban como la luna
Venían hacia nosotros como dos marruás

El cabello rizado era algo natural
Oliendo a romero del campo cuando comienza a florecer
Los piececitos de la cabocla bailando al son de la viola
Un entrometido gritaba '¡ayúdame, nuestra señora!'

Escrita por: Wilson Dias