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João-de-barro / Chico Mineiro / Tristeza do Jeca / Fio de Cabelo / Índia / Saudade de Minha Terra

Wilson e Soraia

João-de-barro / Chico Mineiro / Tristeza do Jeca / Fio de Cabelo / Índia / Saudade de Minha Terra

O João-de-barro, pra ser feliz como eu
Certo dia resolveu
Arranjar uma companheira

No vai-e-vem, com o barro da biquinha
Ele fez sua casinha
Lá no galho da paineira

Toda manhã, o pedreiro da floresta
Cantava, fazendo festa
Pra aquela que tanto amava

Mas quando ele ia buscar o raminho
Pra construir seu ninho
O seu amor lhe enganava

Fizemos a última viagem
Foi lá pro sertão de Goiás
Fui eu e o Chico Mineiro
Também foi o capataz

Viajamos muitos dias
Pra chegar em Ouro Fino
Aonde passamos a noite
Numa festa do Divino

Nesses versos tão singelos
Minha bela, meu amor
Pra você, quero contar
O meu sofrer e a minha dor

Eu sou como o sabiá
Que quando canta, é só tristeza
Desde o galho onde ele está

Eu sou como o sabiá
Que quando canta, é só tristeza
Desde o galho onde ele está

Nessa viola
Eu canto e gemo de verdade
Cada toada
Representa uma saudade

Quando a gente ama
E não vive junto da mulher amada
Uma coisa à toa
É um bom motivo pra gente chorar

Apagam-se as luzes ao chegar a hora
De ir para a cama
A gente começa a esperar por quem ama
Na impressão que ela venha se deitar

E hoje o que eu encontrei
Me deixou mais triste
Um pedacinho dela que existe
Um fio de cabelo no meu paletó

Lembrei de tudo entre nós
Do amor vivido
Aquele fio de cabelo comprido
Já esteve grudado em nosso suor

Índia, seus cabelos nos ombros caídos
Negros como a noite que não tem luar
Seus lábios de rosa para mim, sorrindo
E a doce meiguice desse seu olhar

Índia da pele morena
Sua boca pequena eu quero beijar

Índia, a tua imagem
Sempre comigo, vai
Dentro do meu coração
Flor do meu Paraguai

Pra minha mãezinha, já telegrafei
E já me cansei de tanto sofrer
Nesta madrugada, estarei de partida
Pra terra querida que me viu nascer

Já ouço, sonhando, o galo cantando
O inhambu piando no escurecer
A Lua prateada clareando a estrada
A relva molhada desde o anoitecer

Eu preciso ir pra ver tudo ali
Foi lá que nasci, lá quero morrer

João-de-barro / Chico Mineiro / Tristeza do Jeca / Fio de Cabelo / Índia / Saudade de Minha Terra

El hornero, para ser feliz como yo
Un día decidió
Buscar una compañera

En vaivén, con el barro del arroyo
Construyó su casita
En la rama del árbol de la ceiba

Cada mañana, el albañil del bosque
Cantaba, celebrando
A aquella a quien tanto amaba

Pero cuando iba a buscar la ramita
Para construir su nido
Su amor lo engañaba

Hicimos el último viaje
Fue hacia el sertón de Goiás
Fui yo y Chico Mineiro
También fue el capataz

Viajamos muchos días
Para llegar a Ouro Fino
Donde pasamos la noche
En una fiesta del Divino

En estos versos tan sencillos
Mi bella, mi amor
Para ti, quiero contar
Mi sufrimiento y mi dolor

Soy como el zorzal
Que cuando canta, es pura tristeza
Desde la rama donde está

Soy como el zorzal
Que cuando canta, es pura tristeza
Desde la rama donde está

En esta guitarra
Canto y lamento de verdad
Cada melodía
Representa una añoranza

Cuando uno ama
Y no vive junto a la mujer amada
Una tontería
Es motivo suficiente para llorar

Se apagan las luces al llegar la hora
De ir a la cama
Uno comienza a esperar a quien ama
Con la esperanza de que venga a acostarse

Y hoy lo que encontré
Me entristeció más
Un mechón de su cabello que queda
Un hilo de cabello en mi saco

Recordé todo entre nosotros
Del amor vivido
Ese hilo de cabello largo
Ya estuvo pegado a nuestro sudor

India, tu cabello caído en los hombros
Negro como la noche sin luna
Tus labios de rosa sonriendo para mí
Y la dulce ternura de tu mirada

India de piel morena
Tu boca pequeña quiero besar

India, tu imagen
Siempre conmigo va
Dentro de mi corazón
Flor de mi Paraguay

Para mi mamita, ya le telegrafié
Y ya me cansé de tanto sufrir
En esta madrugada, estaré partiendo
Hacia la tierra querida que me vio nacer

Ya escucho, soñando, al gallo cantando
El inhambú piando al oscurecer
La Luna plateada iluminando el camino
La hierba mojada desde el anochecer

Necesito ir para ver todo allí
Fue allí donde nací, allí quiero morir

Escrita por: Francisco Ribeiro, Teddy Vieira, Marciano, Darci Rossi, Goia, Belmonte, Angelino de Oliveira, Tonico, Zé Fortuna, Muibo Cury, Manuel Ortiz Guerrero, José Asunción Flor