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Babéis de Cimento

Xico Bizerra

Babéis de Cimento

Me desculpe, amigo,
Mas não quero o desperdício
De olhar edifícios, do teu edifício, da tua janela,
Mil perdões, companheiro,
Mas quero voltar ligeiro
Pra terrinha, mãe-gentil, doce aquarela,
É difícil dizer, mas eu não gosto de ver
Babéis de cimento, armados concretos, desamor,
Cidade assim tão fel,
Só se for no papel
De uma fotografia fria, indolor,
É bela, talvez, mas só se for um dia no mês,
E que não me acoche e aperte o coração,
Sua terra é bonita, disso ninguém duvida, não,
Mais linda ainda da janela do avião
De volta pro meu sertão, de volta pro meu sertão
Onde as auroras não são de luzes e faróis,
Onde os neons não roubam nossos arrebóis

Babéis de Cimento

Me disculpo, amigo,
Pero no quiero el desperdicio
De mirar edificios, tu edificio, desde tu ventana,
Mil perdones, compañero,
Pero quiero regresar rápido
A mi tierra, madre gentil, dulce acuarela,
Es difícil de decir, pero no me gusta ver
Babéis de cemento, armados concretos, desamor,
Ciudad así tan fiel,
Solo si es en papel
De una fotografía fría, indolora,
Es bella, quizás, pero solo un día al mes,
Y que no me apriete el corazón,
Tu tierra es bonita, de eso nadie duda,
Aún más hermosa desde la ventana del avión
De vuelta a mi sertón, de vuelta a mi sertón
Donde las auroras no son de luces y faroles,
Donde los neones no roban nuestros arreboles

Escrita por: Lu Limeira, Xico Bizerra