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Orora Arnafabeta... Festival de Bolachada

Zé Alexandre

Orora Arnafabeta... Festival de Bolachada

Olha, que eu conheci
uma dona boa lá em Cascadura
grande criatura
mas não sabia ler e nem tampouco escrever
Mas ela é bonitona, bem feita de corpo e cheia da nota
mas escreve gato com "J", escreve saudade com "C" pra você ver...
Ela me disse outro dia, que estava doente, sofrendo do "estrombo"
vixe, quase levei um tombo, caí durinho pra trás
ela fala "Aribu", "arioprano" e "motocicreta"
e diz que adora feijoada "compreta"
ela é errada demais...
vi uma letra "O"
bordada em sua blusa, eu disse é agora
perguntei seu nome ela me disse " Orora "
eu sou filha do "Arineu"
mas o azar é todo meu...

Eu outro dia passeando em Madureira
caí na asneira de dizer uns "psilones"
a uma dona muito bem aparentada
mas a danada pôs a boca no trombone
chamou o guarda e contou tanta mentira
e o pior é que o guarda acreditou
meu deu uma bolacha quarta-feira às cinco horas
eu tô levantando agora, a enfermeira me chamou
juro por Deus que nunca mais em minha vida
fazer gracinhas pela rua eu vou
mulher bonita se passar eu viro a cara
podem dizer que eu tô até borocoxô
aquele guarda me deixou complexado
se bobear um dia eu vou virar mulher
meu camarada, se eu gostasse de bolacha
comprava uma caixa de um biscoito qualquer
Eu outro dia, sem querer no cais do porto
pra olhar um morto eu desci do lotação
num instantinho vi dois caras parecidos
e pela farda acho que era o Cosme e Damião
e num instante eu já estava no distrito
me deram um bico que eu fiquei sem ouvir direito
que coisa chata foi servir de testemunha
me arrancaram a unha do dedão do pé direito
me bateram tanto que eu fiquei abilolado
me enfiaram um prego no buraco do nariz
pra me ver livre dos carinhos do delega
eu fui obrigado a confessar o que eu não fiz
e eu confessei que no ano de mil e quinhentos
no dia vinte de dois de abril
o Pedro Álvares Cabral era inocente
fui eu quem descobriu o Brasil
eu confessei que matei o Tiradentes
que sou culpado no estouro do Guandú
paguei uma multa de cinquenta mil cruizeiros
e fui à pé pra minha casa em Bangu...e muito jururú...

Orora Arnafabeta... Festival de Bolachada

Mira, que conocí
a una mujer buena allá en Cascadura
gran criatura
pero no sabía leer ni mucho menos escribir
Pero es guapetona, bien formada y llena de plata
pero escribe gato con "J", escribe saudade con "C" para que veas...
Un día me dijo que estaba enferma, sufriendo del "estrombo"
¡vaya, casi me caigo de espaldas!
ella dice "Aribu", "arioprano" y "motocicreta"
y dice que adora la feijoada "compreta"
ella es demasiado incorrecta...
vi una letra "O"
bordada en su blusa, dije es ahora
pregunté su nombre y me dijo "Orora"
soy hija de "Arineu"
pero la mala suerte es toda mía...

Otro día paseando en Madureira
caí en el error de decir unos "psilones"
a una mujer muy bien parecida
pero la condenada se puso a hablar mal de mí
llamó al guardia y contó tantas mentiras
y lo peor es que el guardia le creyó
me dio una paliza el miércoles a las cinco de la tarde
me estoy levantando ahora, la enfermera me llamó
juro por Dios que nunca más en mi vida
haré chistes en la calle
si pasa una mujer bonita, volteo la cara
pueden decir que estoy hasta borocoxó
ese guardia me dejó complejado
si me descuido un día me convertiré en mujer
mi amigo, si me gustaran las bolachas
compraría una caja de cualquier galleta
Otro día, sin querer en el muelle
para ver un muerto bajé del autobús
en un instante vi dos tipos parecidos
y por el uniforme creo que eran Cosme y Damião
y en un instante ya estaba en la comisaría
me dieron una patada que no escuché bien
qué cosa molesta fue servir de testigo
me arrancaron la uña del dedo gordo del pie derecho
me golpearon tanto que quedé atontado
me metieron un clavo en el agujero de la nariz
para librarme de las caricias del comisario
me vi obligado a confesar lo que no hice
y confesé que en el año mil quinientos
el veinte de abril
Pedro Álvares Cabral era inocente
fui yo quien descubrió Brasil
confesé que maté a Tiradentes
que soy culpable en el estallido del Guandú
pagué una multa de cincuenta mil cruzeiros
y fui a pie a mi casa en Bangu... y mucho alboroto...

Escrita por: B.M. Gomes / Gordurinha