A Idade do Bicho Homem
Até os meus quatro anos eu vivia num berreiro
Nunca largando das tetas me chamavam de terneiro
Dos quatro aos doze anos meu pai dizia te espicha
Vira logo borboleta se não quiser ficar bicha
Dos doze aos dezesseis já ví que não era fraco
Só descascava banana me chamavam de macaco
De dezesseis até os vinte eu era muito bonito
Eu comia só brotinho me chamavam de cabrito
Dos vinte aos trinta anos forte igual um boi zebu
Comia tudo que via me chamavam de urubu
Dos trinta aos quarenta anos me lembro até tenho mágoa
Escolhia o que comer me apelidaram de águia
Dos quarenta aos cinqüenta a mulherada eu atraio
Falo muito e como pouco igualzinho um papagaio
Dos 50 aos 60 eu vou muito nos forró
Persigo tudo e todas e não papo nem a vó
Dos 60 aos 70 a minha cisma não para
Canto canto e não como só me chamam de cigarra
Dos 70 aos 80 vou começar sentir dor
Dói aqui e dói ali eu vou virar um condor
E se eu passar dos 80 vou se uma velha galinha
Os ovos ficaram podres morreu o pinto que tinha
La Edad del Hombre
Hasta que tenía cuatro años vivía en un grito
Nunca me soltaron los pezones, me llamaron terneiro
De cuatro a doce años de edad, mi padre solía decirte Spicha
Conviértete en una mariposa si no quieres ser queer
De los doce a los dieciséis vi que no era débil
Solía pelar plátanos. Me llamaron mono
De dieciséis a veinte yo era muy guapo
Solía comer sólo brotes. Me llamaron cabra
De veinte a treinta años fuerte como un buey cebú
Me comí todo lo que vi. Me llamaban buitres
De treinta a cuarenta años recuerdo incluso tener rencor
Elegí qué comer. Me apodaron el águila
De cuarenta a cincuenta las mujeres que atraigo
Hablo mucho y como poco como un loro
De 50 a 60 voy mucho en el forró
Persigo todo y no hablo con la abuela
De 60 a 70 mi cisma no se detiene
Yo canto y no como sólo me llaman cicada
De 70 a 80 empezaré a sentir dolor
Duele aquí y allí duele. Me convertiré en un cóndor
Y si llego más de 80 voy a conseguir un pollo viejo
Los huevos se pudrieron murieron la salchicha que tenía