Despejo
Inda eu era bem criança
Mas eu trago na lembrança
O que agora vou contar
Meu pai, um home cansado
No trabaio foi quebrado
Não podia mais andar
Numa tarde de janeiro
Vi chegar o fazendeiro
Que pra minha mãe falou
Sua famia tá intimada
Pra deixar essa morada
Pra outro trabaiador
Minha disse ao tirano
Há mais de quarenta ano
Nóis trabaia pro senhor
Deixa nóis ficar aqui
Nóis não tem pra onde ir
Piedade, por favor
E o marvado fazendeiro
Não quis dá nenhum dinheiro
E jogou nóis na estrada
Nóis passemo a noite inteira
Debaixo de uma paineira
Sem agasaio, sem nada
Apesar de bem criança
Pensei logo na vingança
Pensei mesmo em matar
Mas meu pai que era bondoso
Um sujeito carinhoso
Fez minha ideia mudar
E o véio quase chorando
E o meu rosto acarinhando
Já então quase sem voz
Jueiou, tirou o chapéu
Disse oiando para o céu
Deus se vingará por nós
Desalojo
Cuando era apenas un niño
Pero aún recuerdo
Lo que ahora voy a contar
Mi padre, un hombre cansado
En el trabajo fue herido
Ya no podía caminar
En una tarde de enero
Vi llegar al hacendado
Que le dijo a mi madre
Su familia está citada
Para dejar esta morada
Para otro trabajador
Mi madre le dijo al tirano
Hace más de cuarenta años
Hemos trabajado para usted
Déjenos quedarnos aquí
No tenemos a dónde ir
Piedad, por favor
Y el maldito hacendado
No quiso dar ningún dinero
Y nos echó a la calle
Pasamos la noche entera
Bajo un árbol de paineira
Sin refugio, sin nada
A pesar de ser solo un niño
Pensé en la venganza
Incluso pensé en matar
Pero mi padre, que era bondadoso
Un hombre cariñoso
Cambié de idea
Y el viejo casi llorando
Acariciando mi rostro
Casi sin voz
Susurró, se quitó el sombrero
Mirando al cielo
Dios se vengará por nosotros
Escrita por: Anacleto Rosas Jr. / Arlindo Pinto