395px

El Regreso del Hijo

Zé da Silva e Silveri

A Volta Do Filho

Eu sou o filho que volta
A bater na mesma porta
Que há muito tempo fechei

Quando eu fui embora chorando
E aqui também soluçando
Papai e mamãe eu deixei

Era uma noite assim
E veja ali no jardim
Os mesmos pés de hortênsia

Desfolhados pela idade
Ou talvez pela saudade
Que sentiu na minha ausência

Veja a gaiola vazia
Do canário que um dia
Eu mesmo mandei soltar

Talvez que o pobre passarinho
Voltou ao seu velho ninho
Como eu voltei a meu lar

Veja meu cão policial
Latindo ali no quintal
Talvez me reconheceu

Vem, Lobo, vem, sou seu dono
Que te deixou no abandono
Sem ao menos dizer-lhe adeus

Será que ainda existe aquele meu violão
Num cantinho no salão
Desde o dia que eu parti?

Meus colegas que ficaram
Talvez morreram ou mudaram
Ou estão todos aqui?

Já vai alta a madrugada
Veja a janela fechada
Do quarto de meus velhinhos

Talvez mãezinha chora
Sem nunca pensar que agora
Seu filho está tão pertinho

Talvez pensam que eu morri
Porque nunca lhes escrevi
Desde a minha despedida

Eles devem estar velhinhos
Já na curva do caminho
Que conduz ao fim da vida

Mamãe, papai! Abra a porta, papai!
O seu filho está de volta
Pra pedir sua bênção

Abra a porta, papai!
Eu sei que sua voz
Não sai cortada pela emoção

Não precisa dizer nada
Deixe as lágrimas derramadas
Banhar meu peito de dor

Eu que vivi sem carinho
Vinte anos, papaizinho
Quero agora seu calor

Papai, cadê minha mãezinha?
Meu pensamento adivinha
Olhando nos olhos seus

Meu filho, chorando eu quero dizer
Sua mãe não pode viver
E vou-se embora com Deus

Meu Deus! Eu fui o culpado
De desgosto ter matado
Aquela que me criou

Que ausente de seus filhinho
Qual uma flor entre espinhos
No abandono murchou

Papai, como está velhinho!
Os seus cabelos estão branquinhos
Foram as idades sem fim

Te encontrei mais abatido
De tanto ter padecido
Vinte anos longe de mim

Vejo ali a fotografia
Da mãezinha que um dia
Aqui deixei a chorar

Parece que ela me diz
Filho, como estou feliz
Por ver você regressar

Parti para fazer riqueza
Para tirar da pobreza
O meu pai e minha mãezinha

Compreendi tarde demais
Que eram meus velhos pais
A maior riqueza que eu tinha

Quem vive perto dos pais
Não abandones jamais
Porque seu amor profundo

É o amor universal
Não encontrarás outro igual
Em nenhum lugar deste mundo

El Regreso del Hijo

Soy el hijo que regresa
A golpear la misma puerta
Que hace mucho tiempo cerré

Cuando me fui llorando
Y aquí también sollozando
A papá y mamá dejé

Era una noche así
Y mira allí en el jardín
Las mismas hortensias

Desgastadas por la edad
O tal vez por la añoranza
Que sintieron en mi ausencia

Mira la jaula vacía
Del canario que un día
Yo mismo solté

Tal vez el pobre pajarito
Regresó a su viejo nido
Como yo regresé a mi hogar

Mira a mi perro policía
Ladrando allí en el patio
Tal vez me reconoció

Ven, Lobo, ven, soy tu dueño
Que te dejó abandonado
Sin siquiera decirte adiós

¿Todavía existe mi guitarra
En un rincón de la sala
Desde el día que me fui?

Mis amigos que se quedaron
Tal vez murieron o cambiaron
¿O están todos aquí?

Ya es alta la madrugada
Mira la ventana cerrada
Del cuarto de mis viejitos

Tal vez mamá llora
Sin pensar que ahora
Su hijo está tan cerca

Tal vez piensan que morí
Porque nunca les escribí
Desde mi despedida

Deben estar ancianos
En la curva del camino
Que conduce al final de la vida

¡Mamá, papá! ¡Abre la puerta, papá!
Tu hijo ha regresado
Para pedir tu bendición

Abre la puerta, papá
Sé que tu voz
No se corta por la emoción

No necesitas decir nada
Deja que las lágrimas derramadas
Empapen mi pecho de dolor

Yo que viví sin cariño
Veinte años, papacito
Ahora quiero tu calor

Papá, ¿dónde está mamá?
Mi pensamiento adivina
Mirando en tus ojos

Hijo, llorando quiero decir
Tu madre no puede vivir
Y se va con Dios

¡Dios mío! Fui el culpable
De haber matado de tristeza
A aquella que me crió

Ausente de sus hijos
Como una flor entre espinas
Marchitó en el abandono

Papá, ¡cómo estás envejecido!
Tus cabellos están blancos
Fueron las edades sin fin

Te encontré más abatido
De tanto haber padecido
Veinte años lejos de mí

Veo allí la fotografía
De mamá que un día
Dejé aquí llorando

Parece que me dice
Hijo, ¡qué feliz estoy
De verte regresar!

Partí para hacer fortuna
Para sacar de la pobreza
A mi papá y mi mamá

Comprendí demasiado tarde
Que eran mis viejos padres
La mayor riqueza que tenía

Quien vive cerca de sus padres
Nunca los abandones
Porque su amor profundo

Es el amor universal
No encontrarás otro igual
En ningún lugar de este mundo

Escrita por: Barrinha / Jose Fortuna