395px

Caboclinho

Zé Garoto e Dimboré

Caboclinho

Olhando aquela porteira
Do lado de uma paineira
Ainda existe uma casinha
Toda velha esburacada
Sem morador e sem nada
Fica bem perto da linha

Ali teve alegria
A paineira florescia
E os passarinhos cantavam
Quando a noite surgia
Lá da varanda se ouvia
Uma viola que ponteava

Caboclinho ali vivia
Com um filho e Maria
Sua eterna companheira
A mulher que ele amava
Outros planos já traçava
Foi ingrata e traiçoeira

Desviando o pensamento
Não cumpriu o juramento
Outro homem acompanhou
E sem pensar em mais nada
Fugiu de madrugada
E nunca mais voltou

Caboclinho entristecido
Com o golpe recebido
Quase enlouqueceu de dor
Para a mágoa aliviar
Pra bem longe foi morar
E a casinha abandonou

Quando a paineira floresce
E o cheiro resplandece
Muitos recorda o passado
As flores é recordação
Da triste separação
Desse lar abandonado

Hoje conto esta história
Não tive muita glória
O mundo me ensinou
Fiquei sem o meu paizinho
Que me deu tanto carinho
Mas a morte ele levou

Minha mãe nunca mais vi
Ninguém sabe o que senti
Quando ela me abandonou
Sozinho sem os meus pais
Na vida sofri demais
Mas Deus me amparou

Caboclinho

Mirando aquel portón
Al lado de un árbol de paineira
Todavía hay una casita
Toda vieja y llena de agujeros
Sin habitantes y sin nada
Queda muy cerca de la línea del tren

Allí hubo alegría
La paineira florecía
Y los pajaritos cantaban
Cuando la noche llegaba
Desde el balcón se escuchaba
Una guitarra que punteaba

Caboclinho vivía allí
Con un hijo y María
Su eterna compañera
La mujer que amaba
Ya tenía otros planes trazados
Fue ingrata y traicionera

Desviando el pensamiento
No cumplió su juramento
Acompañó a otro hombre
Y sin pensar en nada más
Huyó de madrugada
Y nunca más regresó

Caboclinho entristecido
Con el golpe recibido
Casi enloqueció de dolor
Para aliviar la pena
Se fue a vivir lejos
Y abandonó la casita

Cuando la paineira florece
Y su aroma resplandece
Muchos recuerdan el pasado
Las flores son recuerdo
De la triste separación
De ese hogar abandonado

Hoy cuento esta historia
No tuve mucha gloria
El mundo me enseñó
Me quedé sin mi papá
Que me dio tanto cariño
Pero la muerte se lo llevó

A mi mamá nunca más vi
Nadie sabe lo que sentí
Cuando me abandonó
Solo, sin mis padres
En la vida sufrí mucho
Pero Dios me sostuvo

Escrita por: Dimboré / Olavo Francisco da Silva / Valito