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Tragedia

Zé Garoto e Dimboré

Tragédia

No braço desta viola
Eu vou contar pra você
Um pouco da minha vida
Escute o que vou dizer
Do meu tempo de solteiro
Eu nunca vou esquecer
Viajava com boiada
Cortando as velhas estradas
Trabalhando com prazer

Eu me lembro de um transporte
Que eu fazia pra Goiás
Tá gravado em minha mente
Que não esqueço jamais
Ia vinte e um peões
E também o capataz
Peonada decididos
Todos eram entendidos
Não deixava um boi pra trás

Uma briga de dois touros
Espantou toda a manada
Parecia que o mundo
Nesta hora desabava
Os peões em desespero
Não podiam fazer nada
Dois cavalos foram jogados
E todos pisoteados
Pelos cascos da boiada

Este fato aconteceu
Até hoje eu me lembro
Morreu vinte e um peões
Naquele mês de dezembro
Parece que estou sentindo
Até hoje o chão tremendo
Não consigo esquecer
Sinto meu peito sofrer
E o coração doer

Tudo isso aconteceu
Há muitos anos atrás
A dor que sinto no peito
Eu já não aguento mais
O destino é traiçoeiro
Veja como ele faz
Fiquei sem meus companheiros
Dos vinte e um boiadeiros
Eu era o capataz

Tragedia

En el brazo de esta guitarra
Te contaré
Un poco de mi vida
Escucha lo que tengo que decir
De mi tiempo de soltero
Nunca olvidaré
Viajaba con el ganado
Cortando los viejos caminos
Trabajando con placer

Recuerdo un transporte
Que hacía a Goiás
Está grabado en mi mente
Que nunca olvidaré
Iban veintiún peones
Y también el capataz
Peonada decidida
Todos eran entendidos
No dejaban un toro atrás

Una pelea entre dos toros
Asustó a todo el rebaño
Parecía que el mundo
Se venía abajo en ese momento
Los peones desesperados
No podían hacer nada
Dos caballos fueron arrojados
Y todos pisoteados
Por los cascos del ganado

Este hecho ocurrió
Hasta el día de hoy lo recuerdo
Murieron veintiún peones
En ese mes de diciembre
Parece que aún siento
El suelo temblar
No puedo olvidar
Siento mi pecho sufrir
Y el corazón doler

Todo esto sucedió
Hace muchos años
El dolor que siento en el pecho
Ya no lo aguanto más
El destino es traicionero
Mira cómo actúa
Me quedé sin mis compañeros
De los veintiún vaqueros
Yo era el capataz

Escrita por: Edson Trovão / Olavo Francisco da Silva