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Brasil de Boiada e Tropeiro

Zé Garoto e Timboré

Brasil de Boiada e Tropeiro

Brasil de boiada e tropeiro
O meu tempo de boiadeiro
Já não volta mais
Os anos foram passando
Os transportes foram mudando
Não vejo os animais

Minha traia pantaneira
E o laço couro de mateiro
Guardei por recordação
Hoje vivo de saudade
Adeus minha mocidade
Sou museu na solidão

Passei três meses viajando
Tirando o gado nos pântanos
Lá no chão de Goiás
Hoje se vivo chorando
Meu pelego acariciando
Não zombe de mim, rapaz

Eu trago nas rugas do rosto
Poeira, lama e muito gosto
E um berrante na recordação
A Lua foi minha amada
Quando eu fazia pousadas
Naqueles velhos galpões

Estas palavras que falo
Sinto no peito um estalo
Ferindo meu coração
Vaqueiro de bota e espora
A cavalo estrada afora
Na garupa um laço e o gibão

A boiada segue a passo lento
A poeira acompanhando o vento
Vai sumindo lá no baixadão
O Sol desce avermelhado
Este velho peão cansado
Vive de recordação

Brasil de Boiada e Tropeiro

Brasil de ganado y arriero
Mi tiempo de vaquero
Ya no volverá
Los años han pasado
Los transportes han cambiado
Ya no veo a los animales

Mi equipo pantanero
Y el lazo de cuero de montar
Guardado como recuerdo
Hoy vivo de nostalgia
Adiós juventud mía
Soy un museo en la soledad

Pasé tres meses viajando
Arreando el ganado en los pantanos
En el suelo de Goiás
Hoy si vivo llorando
Acariciando mi piel de oveja
No te burles de mí, muchacho

Llevo en las arrugas de mi rostro
Polvo, barro y mucho gusto
Y un cuerno en el recuerdo
La Luna fue mi amada
Cuando hacía paradas
En aquellos viejos galpones

Estas palabras que digo
Siento un golpe en el pecho
Hiriendo mi corazón
Vaquero de botas y espuelas
A caballo por el camino
En la grupa un lazo y el chaleco

La ganadería sigue a paso lento
El polvo siguiendo al viento
Se va desvaneciendo en la llanura
El Sol desciende rojizo
Este viejo peón cansado
Vive de recuerdos

Escrita por: Zé Garoto