Caboclo Matuto
Sou um caboclo matuto da roça
Minha pele é bastante queimada
Tenho sangue do índio que abriu
Nesse imenso sertão as primeiras picadas
O meu rancho é de cerne de cedro
Rodeado pelos capinzais
O meu rancho é humilde e bonito
Quem for visitar não esquece jamais
O meu carro é um cavalo tubiano
Minha praça é a roça plantada
Minhas mãos têm os calos maduros
Que faz o formato do cabo da enxada
O meu rádio é o pé da paineira
Onde escuto o cantar do inhambu
Minha viola é manhosa e chorosa
Meu peito é rojão pra cantar cururu
Quem falar mal do sertanejo
Não merece a bênção do Senhor
Lá na roça eles vivem lutando
Com dignidade, coragem e amor
Pra vocês, amigos do sertão
Vai a nossa mensagem de fé
É você, amigo lavrador
Que sempre mantém nosso Brasil de pé
Caboclo Matuto
Soy un campesino rústico del campo
Mi piel está muy quemada
Tengo sangre de indio que abrió
En este inmenso sertón los primeros caminos
Mi rancho es de madera de cedro
Rodeado de pastizales
Mi rancho es humilde y bonito
Quien lo visite nunca lo olvida
Mi carro es un caballo tobiano
Mi plaza es el campo sembrado
Mis manos tienen callos maduros
Que forman el mango de la azada
Mi radio es el pie de la ceiba
Donde escucho el canto del inambú
Mi guitarra es astuta y llorona
Mi pecho es un cohete para cantar cururu
Quien hable mal del campesino
No merece la bendición del Señor
Allá en el campo viven luchando
Con dignidad, coraje y amor
Para ustedes, amigos del campo
Va nuestro mensaje de fe
Eres tú, amigo labrador
Quien siempre mantiene a nuestro Brasil en pie
Escrita por: Zé Garoto / Zé Dos Reis