395px

El Gran Amor de Papá

Zé Garoto e Timboré

O Grande Amor de Pai

Passando aquele cerrado
Lá pra diante do banhado
Na beira do ribeirão
Se vê uma santa cruz
Uma imagem de Jesus
E outra de São João

Aquela cruz de peroba
É testemunha e prova
Da história que vou contar
História triste, seu moço
Ao lembrar eu faço esforço
Pra meus olhos não chorar

Há muitos anos atrás
Eu morava com meus pais
Lá no alto do espigão
Eu ainda era pequeno
Com seis anos mais ou menos
Mas tenho recordação

Foi num domingo de agosto
Que meu pai com muito gosto
Me levou no ribeirão
E só pra me ver feliz
Foi pescando os lambaris
E pondo na minha mão

A gente estava entretido
Quando fomos surpreendidos
Por uma onça pintada
Fugiu atrás de um capão
E na minha direção
Ela veio em disparada

Dei um grito estridente
Meu velho pulou na frente
Pra onça não me pegar
O coitado de mãos limpas
Lutou com a fera faminta
Só pensando em me salvar

Realmente me salvou
Mas na luta ele tombou
Pela fera dominado
Sem nada poder fazer
Eu vi meu herói morrer
Vi seu corpo ensanguentado

Foi assim que aconteceu
Meu pai foi morar com Deus
Para nunca mais voltar
Esta é a triste história
Gravada em minha memória
Pra nunca mais se apagar

Agora na capelinha
De manhã ou de tardinha
Todo dia vou rezar
Rezo mesmo em alta voz
Pela alma deste herói
Que morreu pra me salvar

Aquela cruz lá do mato
Além de contar o fato
Representa muito mais
É marca do cristianismo
Emblema do heroísmo
E do grande amor de pai

El Gran Amor de Papá

Pasando por ese cerrado
Allá adelante del banhado
En la orilla del arroyo
Se ve una santa cruz
Una imagen de Jesús
Y otra de San Juan

Esa cruz de peroba
Es testigo y prueba
De la historia que voy a contar
Historia triste, joven
Al recordar hago esfuerzo
Para que mis ojos no lloren

Hace muchos años atrás
Yo vivía con mis padres
Allá en lo alto del espigón
Yo aún era pequeño
Con seis años más o menos
Pero tengo recuerdo

Fue un domingo de agosto
Que mi padre con mucho gusto
Me llevó al arroyo
Y solo para verme feliz
Fue pescando los lambaris
Y poniéndolos en mi mano

Estábamos entretenidos
Cuando fuimos sorprendidos
Por una onza pintada
Huyó detrás de un monte
Y en mi dirección
Vino disparada

Di un grito estridente
Mi viejo se interpuso
Para que la onza no me atrapara
El pobre con las manos limpias
Luchó con la fiera hambrienta
Solo pensando en salvarme

Realmente me salvó
Pero en la lucha él cayó
Dominado por la fiera
Sin poder hacer nada
Vi a mi héroe morir
Vi su cuerpo ensangrentado

Así fue como sucedió
Mi padre fue a vivir con Dios
Para nunca más volver
Esta es la triste historia
Grabada en mi memoria
Para nunca más borrarse

Ahora en la capillita
Por la mañana o por la tarde
Todos los días rezo
Rezo incluso en voz alta
Por el alma de este héroe
Que murió para salvarme

Esa cruz allá en el monte
Además de contar el hecho
Representa mucho más
Es marca del cristianismo
Emblema del heroísmo
Y del gran amor de papá

Escrita por: Nho Chico / Zé Garoto