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Caboclinha

Zé Helder

Caboclinha

Canjiquinha,
Costelinha,
Doce de batata roxa

Tenho fome,
Tenho sede
Desta terra caboclinha

O meu pé esparramado
Levanta poeira fina
Nas andanças do congado

Minha mão puxa o rosário,
Entoada a ladainha

O vestido de babado
Pendurado atrás da porta
Tem um rasgo na costela

Tou com pressa,
Vou na feira
Pra comprar feijão de vara

Tenho fome, tenho sede,
Vou beber as águas todas
Das vertentes das montanhas
Devorar cada fatia
Dessa terra garimpeira

Caboclinha

Mazamorra,
Costillita,
Dulce de batata morada

Tengo hambre,
Tengo sed
De esta tierra caboclinha

Mis pies esparcidos
Levantan polvo fino
En las andanzas del congado

Mi mano tira del rosario,
Entonando la letanía

El vestido con volados
Colgado detrás de la puerta
Tiene un rasgón en la costilla

Estoy apurado,
Voy a la feria
Para comprar frijoles de vara

Tengo hambre, tengo sed,
Voy a beber todas las aguas
De las vertientes de las montañas
Devorar cada pedazo
De esta tierra minera

Escrita por: Cínita Kallás / Zé Helder