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Mar sereno

Zé Manoel

Sereno Mar

Sereno mar...
Eu falei que não fosse
Não me ouviu, não quis ficar
Pescador não vá, pescador não vá, pescador
Quem era eu, quem sou eu pra impedir?
Quem era eu pescador?
Quem sou eu?
Já nem sei, pois pesquei a própria dor.
Pescador, não vá
Pescador, não vá
Pescador

Ela tava tão bonita
Com um vestido bordado de luz
Meu filho, tome cuidado, a sereia do mar lhe seduz.
As pedras de sal refletiam
O sol desejava e ardia
-Vem, vem buscar sua sina na pescaria
As pedras de sal refletiam
O sol desejava e ardia
-Vem, vem buscar sua sina na pescaria

Vendaval
Temporal
Vai virar
Tenha fé... Tenha fé... Tenha fé na armação
Voa então num mar azul
Submerso, vem a paz...
Ninguém viu quêde Zé
Quêde Zé?
Quêde Ze?

Deu três dias, deu três noites
Ninguém conseguiu encontrar
Decerto virou prisioneiro na casa de Dona Iemanjá
A mãe não se consolava
O pai não se conformava
E saiu para o mar, sem o filho não voltava
A mãe não se consolava
O pai não se conformava
E saiu para o mar, sem o filho não voltava

Da primeira vez que eu vi aquele mar
Não imaginei que um dia fosse pescar meu filho
Que a maré trouxe pro meu trançado, pra minha rede
A rede que já fisgou tanto peixe, seu corpo foi abraçar
Na vasão do mar, a sereia te deixou voltar
E num mar sereno encontrei o meu filho dormindo na rede de pescar

Mar sereno

Mar sereno
Te dije que no lo hicieras
No me escuchaste, no querías quedarte
Pescador no va, pescador no va, pescador
¿Quién era yo, quién soy yo para detenerlo?
¿Quién era yo pescador?
¿Quién soy yo?
Ya ni siquiera lo sé, porque cogí mi propio dolor
Pescador, no te vayas
Pescador, no te vayas
Pescador

Se veía tan bonita
Con un vestido bordado ligero
Hijo mío, ten cuidado, la sirena marina te seduce
Las piedras de sal reflejadas
El sol anhelaba y quemaba
Ven, consigue tu fortuna de la pesca
Las piedras de sal reflejadas
El sol anhelaba y quemaba
Ven, consigue tu fortuna de la pesca

Vendaval
Aguacero
Va a girar
Ten fe... Ten fe... Ten fe en el marco
Luego volar en un mar azul
Sumergido, venga la paz
Nadie vio a ese Yogi
¿Qué Zé?
¿Quién Ze?

Dio tres días, dio tres noches
Nadie pudo encontrar
Seguramente se convirtió en prisionero en casa de Doña Iemanjá
La madre no se consoló a sí misma
El padre no se conformó
Y salió al mar, sin su hijo, no volvería
La madre no se consoló a sí misma
El padre no se conformó
Y salió al mar, sin su hijo, no volvería

La primera vez que vi ese mar
No pensé que iría a pescar a mi hijo
Que la marea ha traído a mi trenza, a mi red
La red que una vez enganchó a tantos peces, su cuerpo fue a abrazar
En la vasion del mar, la sirena te deja volver
Y en un mar sereno encontré a mi hijo durmiendo en la red de pesca

Escrita por: Ze Manoel