395px

Carreiro Sebastião

Zé Matão e Carreirinho

Carreiro Sebastião

O meu nome é Sebastião Rodrigues de Carvalho
Fui carreiro e com saudade lembro os tempos de trabalho
Hoje eu moro na cidade mas nem de casa não saio
Chego a sonhar com meu carro cortando pelos atalhos
Quatorze boi todos manso desde a guia ao cabeçalho

Nome da minha boiada até hoje estou lembrado
Redondo e Marechal, Craveiro e Desejado
Jagunço e Violento, Estrangeiro e Numerado
Retaco e Barão, boi baixo arreforçado
Maneiro e Rochedo, doze boi aparelhado

Na junta de cabeçalho, Ouro Preto e Coração
José Martins de Azevedo, o nome do meu patrão
Na fazenda São Luiz, onde eu morei um tempão
Cortava aquele serrado lotadinho de algodão
Dava um dueto doído o gemido do cocão

Hoje eu moro na cidade mais não posso acostumar
Em outubro fez dois anos que eu deixei de carrear
Às vezes quando estou sozinho eu começo a lembrar
Parece que estou escutando o meu carro a cantar
Eu nasci pra ser carreiro não nego meu naturar

Carreiro Sebastião

Mi nombre es Sebastião Rodrigues de Carvalho
Fui carretero y con nostalgia recuerdo los tiempos de trabajo
Hoy vivo en la ciudad pero ni de casa salgo
Llego a soñar con mi carro cortando por los atajos
Catorce bueyes todos mansos desde la guía hasta el cabezal

El nombre de mi ganado aún lo recuerdo
Redondo y Marechal, Craveiro y Desejado
Jagunço y Violento, Estrangeiro y Numerado
Retaco y Barón, buey bajo reforzado
Maneiro y Rochedo, doce bueyes aparejados

En la yunta del cabezal, Ouro Preto y Corazón
José Martins de Azevedo, el nombre de mi patrón
En la hacienda São Luiz, donde viví un buen tiempo
Cortaba aquel monte lleno de algodón
Daba un gemido doloroso el chirrido del yugo

Hoy vivo en la ciudad pero no logro acostumbrarme
En octubre se cumplieron dos años desde que dejé de carrear
A veces cuando estoy solo empiezo a recordar
Parece que escucho a mi carro cantar
Nací para ser carretero, no niego mi naturaleza

Escrita por: