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Solo Urucubaca

Zé Moraes

Só Urucubaca

Minha querida, por que você foi embora?
Tudo tá triste depois que você partiu
A vida boa deste nêgo zarampiô
Parece que azarô, tudo que a gente construiu
No nosso quarto a janela tá esgueiada
O travesseiro nem que arrume, não tem jeito
Até o cachorro que sempre foi meu amigo
Agora invocou comigo, anda cheio de defeito

Com tua ausência estão todos revoltado
O meu cavalo, parceiro de estimação
Quando me enxerga vira a cara e não dá bola
Dá um relincho, e ergue a cola
E se some no capão
Até as galinha já pararam de botar
Não querem milho, e largaram mão dos pintinho
E as curucaca que andava pelo terreiro
Abandonaram o potreiro, e foram embora pros vizinho

A água pura lá da fonte cristalina
Entristeceu, escorre quase parando
Nossa carneira, pra não me dá o pelego
Foi chupada de morcego, e o bode velho tá pestiando
Nosso quintal se entregou pro João-de-mato
O arvoredo não dá mais fruto graúdo
A horta véia, já não tem mais o cová
Baixou uns mandorová, e comeram com talo e tudo

No Facebook, era hashtag nós dois
Talvez por isso, fez você me abandoná
Uma abençoada um dia me escreveu
Mas foi você quem leu, não deu tempo de apagá
Mas eu te peço, por favor volte comigo
A minha vida virou uma urucubaca
E a saudade de morá, comigo insiste
Tá aparecendo até gripe
É de noite que mais ataca

Solo Urucubaca

Mi querida, ¿por qué te fuiste?
Todo está triste desde que te marchaste
La buena vida de este tipo se arruinó
Parece que se jodió, todo lo que construimos
En nuestro cuarto la ventana está torcida
La almohada, aunque la acomode, no tiene remedio
Hasta el perro que siempre fue mi amigo
Ahora se ha enojado conmigo, está lleno de defectos

Con tu ausencia todos están molestos
Mi caballo, compañero de confianza
Cuando me ve, me da la espalda y no me pela
Da un relincho y levanta la cola
Y se pierde en el monte
Hasta las gallinas han dejado de poner
No quieren maíz, y han dejado a los pollitos
Y las curucacas que andaban por el patio
Abandonaron el corral y se fueron con los vecinos

El agua pura de la fuente cristalina
Se entristeció, fluye casi detenida
Nuestra carne, para no darme el mal
Fue chupada por murciélagos, y el viejo chivo está enfermo
Nuestro patio se entregó al Juan de monte
Los árboles ya no dan más frutos grandes
La huerta vieja, ya no tiene más el surco
Bajaron unos mandorvas, y se lo comieron con tallo y todo

En Facebook, era hashtag nosotros dos
Quizás por eso, decidiste abandonarme
Una bendita un día me escribió
Pero fuiste tú quien lo leyó, no hubo tiempo de borrar
Pero te pido, por favor vuelve conmigo
Mi vida se volvió una urucubaca
Y la nostalgia de vivir conmigo insiste
Está apareciendo hasta gripe
Es de noche cuando más ataca

Escrita por: Zé Moraes