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Rita Baiana

Zezé Motta

Rita Baiana

Olha meu nego quero te dizer
O que me faz viver
O que quase me mata de emoção
É uma coisa que me deixa louca
Que me enche a boca
Que me atormenta o coração
Quem sabe um bruxo
Me fez um despacho
Porque eu não posso sossegar o facho
É sempre assim
Ai essa coisa que me desatina
Me enlouquece, me domina
Me tortura e me alucina

Olha meu nego
Isso não dá sossego
E se não tem chamego
Eu me devoro toda de paixão
Acho que é o clima feiticeiro
O Rio de Janeiro que me incendeia
O coração
Eu nem consigo nem pensar direito
Com essa aflição dispara no meu peito
Ai essa coisa que me desatina
Me enlouquece, me domina
Me tortura e me alucina
E me dá
Uma vontade e uma gana dá
Uma saudade da cama dá
Quando a danada me chama
Maldita de Rita Baiana

Nu outro dia o português lá da quitanda
O Epitácio da gamboa
Assim à toa se engraçou e disse:
"Oh Rita rapariga eu te daria 100 miréis por teu amor"
Eu disse:
Vê se te enxerga seu galego de uma figa
Se eu quisesse vida fácil
Punha casa no Estácio
Pra Barão e Senador
Mas não vendo o meu amor
Ah, ah, isso é que não!

Olha meu nego quero te dizer
Não sei o que fazer
Pra suportar a minha escravidão
Até parece que é literatura
Que é mentira pura
Essa paixão cruel de perdição
Mas não me diga que lá vem de novo
A sensação
Olha meu nego assim eu me comovo
Agora não
Ai essa coisa que me desatina
Me enlouquece, me domina
Me tortura e me alucina
E me dá
Uma vontade e uma gana dá
Uma saudade da cama dá
Quando a danada me chama
Maldita de Rita Baiana

Rita Baiana

Mira mi negro, quiero decirte
Lo que me hace vivir
Lo que casi me mata de emoción
Es algo que me vuelve loca
Que me llena la boca
Que atormenta mi corazón
Quién sabe un brujo
Me hizo un hechizo
Porque no puedo quedarme quieta
Siempre es así
Ay, esta cosa que me descontrola
Me enloquece, me domina
Me tortura y me alucina

Mira mi negro
Esto no me da paz
Y si no hay cariño
Me devoro entera de pasión
Creo que es el clima hechicero
De Río de Janeiro que me incendia
El corazón
Ni siquiera puedo pensar con claridad
Con esta aflicción que se dispara en mi pecho
Ay, esta cosa que me descontrola
Me enloquece, me domina
Me tortura y me alucina
Y me da
Un deseo y una ansia da
Una nostalgia de la cama da
Cuando la maldita me llama
Maldita Rita Baiana

El otro día el portugués de la tienda
Epitácio de la gamboa
Así sin más se acercó y dijo:
'Oh Rita muchacha, te daría 100 miréis por tu amor'
Yo le dije:
Mira, abre los ojos, maldito portugués
Si quisiera una vida fácil
Pondría una casa en Estácio
Para el Barón y el Senador
Pero no vendo mi amor
¡Ah, eso no!

Mira mi negro, quiero decirte
No sé qué hacer
Para soportar mi esclavitud
Parece literatura
Una mentira pura
Esta pasión cruel de perdición
Pero no me digas que viene de nuevo
La sensación
Mira mi negro, así me conmuevo
Ahora no
Ay, esta cosa que me descontrola
Me enloquece, me domina
Me tortura y me alucina
Y me da
Un deseo y una ansia da
Una nostalgia de la cama da
Cuando la maldita me llama
Maldita Rita Baiana

Escrita por: Geraldo Carneiro / John Neschling