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El Niño de la Porteira

Zoroastro

O Menino da Porteira

Toda vez que eu viajava pela Estrada de Ouro Fino
De longe eu avistava a figura de um menino
Que corria abrir a porteira e depois vinha me pedindo:
- Toque o berrante seu moço que é pra eu ficar ouvindo.

Quando a boiada passava e a poeira ia baixando
Eu jogava uma moeda e ele saía pulando:
- Obrigado boiadeiro, que Deus vá lhe acompanhando
Pra aquele sertão à fora meu berrante ia tocando.

Nos caminhos desta vida muitos espinhos eu encontrei
Mas nenhum calou mais fundo do que isso que eu passei
Na minha viagem de volta qualquer coisa eu cismei
Vendo a porteira fechada o menino não avistei.

Apeei do meu cavalo num ranchinho a beira chão
Ví uma mulher chorando, quis saber qual a razão
- Boiadeiro veio tarde, veja a cruz no estradão!
Quem matou o meu filhinho foi um boi sem coração!

Lá pras bandas de Ouro Fino levando gado selvagem
Quando passo na porteira até vejo a sua imagem
O seu rangido tão triste mais parece uma mensagem
Daquele rosto trigueiro desejando-me boa viagem.

A cruzinha no estradão do pensamento não sai
Eu já fiz um juramento que não esqueço jamais
Nem que o meu gado estoure e eu precise ir atrás
Neste pedaço de chão berrante eu não toco mais.

El Niño de la Porteira

Cada vez que viajaba por la Ruta de Ouro Fino
Desde lejos veía la figura de un niño
Que corría a abrir la tranquera y luego venía a pedirme:
- Toca el cuerno, amigo, para que pueda escuchar.

Cuando pasaba la manada y el polvo se iba asentando
Yo tiraba una moneda y él salía saltando:
- Gracias vaquero, que Dios te acompañe
Mientras mi cuerno sonaba por aquel sertón afuera.

En los caminos de esta vida encontré muchos espinos
Pero ninguno caló más hondo que lo que pasé
En mi viaje de regreso algo me inquietó
Al ver la tranquera cerrada, al niño no divisé.

Bajé de mi caballo en un ranchito al borde del suelo
Vi a una mujer llorando, quise saber la razón
- Vaquero, llegaste tarde, ¡mira la cruz en el camino!
¡Quien mató a mi niñito fue un toro sin corazón!

Por los lados de Ouro Fino llevando ganado salvaje
Cuando paso por la tranquera hasta veo su imagen
Su crujido tan triste parece más bien un mensaje
De aquel rostro moreno deseándome buen viaje.

La cruz en el camino no sale de mi pensamiento
Ya hice un juramento que jamás olvidaré
Aunque mi ganado se escape y tenga que ir tras él
En este pedazo de tierra, el cuerno no tocaré más.

Escrita por: Luizinho / Teddy Vieira