Lamentos de Um Velho Sofredor
Passou o tempo, mais um ano já se foi
Eu estou velho e não posso trabalhar
Quando fui jovem não guardei nenhum dinheiro
E eu agora não sei onde vou morar
E eu agora não sei onde vou morar
Eu passo fome, passo frio, sempre entrevado
Não tenho espelho, não quero me assustar
Já me disseram velho chato vá embora
Velho fedido, vá feder noutro lugar
Velho fedido, vá feder noutro lugar
Eu fui menino e também xingava os velhos
Estou pagando o meu pecado de xingar
Não tenho dentes e o cabelo caiu todo
Estou cansado e mancando pra andar
Estou cansado e mancando pra andar
Minhas muletas de madeira apodreceram
Não tenho roupas nem sapatos pra usar
Espero a morte, mas de mim se esqueceram
Pra mim um dia dura um ano pra passar
Pra mim um dia dura um ano pra passar
Meu sofrimento não tem fim, parece eterno
E vou sofrendo até São Pedro me chamar
O meu lamento é tão triste e verdadeiro
Mas felizmente tenho histórias pra contar
Mas felizmente tenho histórias pra contar
Mas felizmente tenho histórias pra contar
Ainda fumo e tomo cachaça
Eis a minha desgraça
Lamentos de un Viejo Sufridor
Pasó el tiempo, otro año se ha ido
Estoy viejo y no puedo trabajar
Cuando era joven no guardé dinero alguno
Y ahora no sé dónde viviré
Y ahora no sé dónde viviré
Paso hambre, paso frío, siempre entumecido
No tengo espejo, no quiero asustarme
Ya me dijeron viejo molesto, vete
Viejo apestoso, vete a apestar en otro lugar
Viejo apestoso, vete a apestar en otro lugar
Yo era un niño y también insultaba a los viejos
Estoy pagando por insultar
No tengo dientes y se me cayó todo el cabello
Estoy cansado y cojeando para caminar
Estoy cansado y cojeando para caminar
Mis muletas de madera se pudrieron
No tengo ropa ni zapatos para usar
Espero la muerte, pero se olvidaron de mí
Para mí un día dura un año para pasar
Para mí un día dura un año para pasar
Mi sufrimiento no tiene fin, parece eterno
Y seguiré sufriendo hasta que San Pedro me llame
Mi lamento es tan triste y verdadero
Pero afortunadamente tengo historias que contar
Pero afortunadamente tengo historias que contar
Pero afortunadamente tengo historias que contar
Todavía fumo y tomo caña
He aquí mi desgracia
Escrita por: Paulo Freitas Bittencourt Vieira Zoroastro