395px

Ruina

Alexandre Taveira

Tapera

Por muitas vezes troteando na volta de um tropeada
Numa casa abandonada banco o cavalo e boleio
De pronto afrouxo o arreio, as vezes até desencilho
De travesseiro o lombilho conforme a folga sesteio

Quincha rompida do tempo, janela sem a vidraça
A porta aberta a quem passa num convite pra chegar
Tapera que já foi lar, hoje atirada ao relento
Peleando de contra o tempo que insiste a te castigar

Eu te venero tapera por teu passado de glória
Tu fazes parte da história, eu te admiro e respeito
Embora este teu jeito de um abandono profundo
Tu fazes parte de um mundo que guardo dentro do peito

Te habitam grilos, morcegos, os sapos lá na cacimba
Casa, tapera ou tarimba, desde os tempos de guri
Vejo tantas por aí, referenciais de assombrações
Que nas noites dos rincões todos tem medo de ti

Contam terrunhas histórias, referente ao teu passado
De um que morreu enforcado, de outro que a china matou
Mas ninguém jamais contou que o teu teto em desalinho
Abrigou muito carinho de alguém que a ti habitou (repete)

Eu te venero tapera por teu passado de glória
Tu fazes parte da história, eu te admiro e respeito
Embora este teu jeito de um abandono profundo
Tu fazes parte de um mundo que guardo dentro do peito

Ruina

Muchas veces cabalgando de regreso de una tropa
En una casa abandonada, amarro el caballo y descanso
De repente aflojo la cincha, a veces incluso desensillo
Con un almohadón en el lomo, me echo una siesta

El techo roto por el tiempo, la ventana sin vidrio
La puerta abierta a quien pase, una invitación a entrar
Ruina que alguna vez fue hogar, ahora arrojada al abandono
Luchando contra el tiempo que insiste en castigarte

Te venero ruina por tu pasado de gloria
Eres parte de la historia, te admiro y respeto
A pesar de tu aspecto de abandono profundo
Eres parte de un mundo que guardo en mi corazón

Te habitan grillos, murciélagos, sapos en el pozo
Casa, ruina o choza, desde tiempos de niño
Veo tantas por ahí, referencias de espantos
Que en las noches de los rincones todos te temen

Cuentan historias de la tierra, referentes a tu pasado
De uno que murió ahorcado, de otro que la mujer mató
Pero nadie ha contado que tu techo desalineado
Abrigó mucho cariño de alguien que en ti habitó (repite)

Te venero ruina por tu pasado de gloria
Eres parte de la historia, te admiro y respeto
A pesar de tu aspecto de abandono profundo
Eres parte de un mundo que guardo en mi corazón

Escrita por: Querencia, Alexandre Taveira, Dilair Jose Monte das Neves, Suita