Salve-me (part. Matos Rap)
Coy Rap
Cada dia é uma chance para ser melhor que ontem
Para seguir adiante e se mostrar sujeito homem
Afastar aqueles que nas minhas vacas gordas comem
Mas para bancar a guerra e, na dificuldade, somem
E eu tô aqui nessa estrada em busca da luz
Juntando os cacos quebrados, carregando minha cruz
Deus me conduz!
Mas minhas pernas não andam sozinhas
A força vem do céu, mas é minha a correria
Eu morreria pela minha família
E os aliados, aliviados por não seguir a cartilha
São e salvo!
Sem ressalva pra puto, de luto com a situação
Podre, fétida e nojenta que se encontra essa nação
O mundo, cada vez mais, num buraco se afunda
Mas prossigo na luta de segunda a segunda
Tristeza no peito, pelos que se foram, é profunda
Mas Deus levanta minha cabeça, se eu fico corcunda
Sem papo para safado, e nem pra vagabunda
Me afasto daqueles que tenham a alma imunda
A raiva no meu peito é de raiz oriunda
E o coração gelado é como se fosse uma tundra!
Acordo sem vontade, água na cara, vamo lá
Quebra essas grades internas, é a flâmula
Não sou gandula
Eu vim para ser o atacante
Que não aceita o resultado e quebra tudo na revanche
Semblante alterado
Mas nunca adulterado
Real no que faço, mesmo se for algo errado
Cumprindo planejado
Com rap enojado
Onde o filho do traficante é o ídolo do cenário
Sem talento, só autotune e voz desafinada
Sem raciocínio e o cérebro virou fumaça
Sem medo me excedo, não me importo com as consequências
Perdi a paciência com toda essa indecência
Artistas de verdade sem reconhecimento
Enquanto a mídia louva esse pedaço de excremento
Saudade do tempo quando o restart era a piada
E o máximo de baixaria era o som do catra
Hoje o que se ouve nem é considerado música
Essa porra é um barulho sincronizado
Eu canto com um ódio reprimido, acumulado
De um povo revoltado pelo lixo propagado
Deus me salve da cena, dessa indústria podre
Desse caminho imundo onde reina o diabo
Te agradeço pai, pois só posso ser grato
Pelo dia que a porta desse inferno tava fechada para mim
Já tô sem saco pra pela saco que paga sapo para bandido
Se passando de coitado no cenário
Sinto saudade quando o rap era a voz dos oprimidos
Da favela, e não estábulo de otário
Que tá no hype, rebola por like
Incutindo nos meninos que o máximo é ter Nike
Cinco vagabundas numa lancha
O lifestyle que tu prega não condiz com a realidade do brasileiro
Que acorda cedo
Do menino da favela vendendo doce por dinheiro
Favela chora, a mãe chora, o filho sem emprego
A nora trabalha de manicure e o pai não tem sossego
O irmão que já se foi deixou saudade
Dois tiros de um moleque que não tem maioridade
A liberdade cerceada, essa vida é um cárcere
Pra faccionado cantar: Paz, justiça e liberdade
Rap já foi compromisso no tempo de sabotage
Sabotaram até o rap, o que se canta é uma viagem só de ida
Com a mão no canhão, não tem saída
Essa tua apologia tá matando tua família



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