
Moradores de Nós Mesmos
Newton Jayme
O que nos incomoda
E nos faz sofrer
Não são as ausências
São as presenças
Que insistem em permanecer
Mesmo longe dos olhos
Ainda caminham em nós
Pelas ruas silenciosas
Da memória e da voz
Passeiam, cativantes
Pelas alamedas do coração
Feito sombras iluminadas
De uma eterna canção
E assim seguimos levando
Com amor que não tem fim
Tantas vidas guardadas
Morando dentro de mim
Somos eternos moradores
De nós mesmos, no coração
Carregamos quem amamos
Como uma doce oração
Quem participa da alma
Quem acende a nossa luz
Mesmo distante no tempo
Nunca parte, nunca se reduz
Há pessoas que ficam
Sem pedir para ficar
Feito perfume na chuva
Feito estrela sobre o mar
Não precisam de presença
Nem de toque, nem de voz
Vivem dentro do silêncio
Que construíram em nós
Porque a saudade não nasce
Somente da solidão
Ela nasce do encontro
Que virou eternidade no coração
Quem reside em nosso íntimo
Quem nos ensinou a sentir
Deixa marcas tão profundas
Que o tempo não pode
Apagar nem partir
Somos eternos moradores
De nós mesmos, no coração
Carregamos quem amamos
Como uma eterna canção
Quem participa da alma
Quem cativa e acende a luz
Transforma a própria saudade
Na presença que nos conduz
O que nos incomoda
Não é a ausência
É a presença infinita
De quem nunca deixou
De existir em nós



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