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Contratempos

Agente Supremo

Letra

    Hoje acordei, olhei no espelho e vi um rosto imperfeito
    Insatisfeito por ser suspeito dum crime não feito
    Revoltado com a vida e com cada falso conceito
    Que a sociedade padroniza num esquema perfeito
    “E eu me sinto desfeito” com o preceito de ânsia
    Por descobrir que somos rotulados desde infância
    Controlados e robotizados sem que saibamos
    Por uma sociedade secreta que usa os humanos
    E ela desenvolveu padrões como ladrões
    Que roubam a liberdade das nossas imaginações
    Como as verdades subtraídas pelos livros de histórias
    Que hoje permanecem fixas nas memórias simplórias
    Como a dos alunos que viam-se bem destacados
    Mas não sabiam que estavam na lista dos formatados
    Porque comiam todo o lixo cru que lhes era dado
    P´ra no fim do semestre não serem os sacrificados
    Eu… desde os meus seis anos não compreendo
    Porque é que fui obrigado a estudar mesmo não querendo
    Enquanto eu quis ser posicionado como um pescador
    A vida meteu-me na sala de aulas com um professor
    A aprender tudo o que ela queria que eu aprendesse
    Mas hoje paro e reparo, que não foi o meu interesse
    Ser obrigado a estar sentado a decorar a matéria
    P´ra no futuro conseguir bater de frente a miséria.

    Quando eu sonho acordado sinto-me quase eterno
    Com a impressão de ter visto o paraíso no inferno
    Inferno esse no qual o sofrimento me enterra
    Quando eu desperto que estou incluso no planeta guerra
    E sobre isso a vida me ferra de todos lados
    Enquanto eu vou fugindo da teia dos iluminados
    Que criaram a religião p´ra dominarem os incrédulos
    Quando não mais era possível mediante os exércitos
    A vida meteu-nos num mundo sem qualquer sufrágio
    Na qual somos levados como um destroço de naufrágio
    Onde somos ridicularizados sem relevância
    Por sermos as vítimas nítidas da ignorância
    Somos embebedados com líquidos informativos
    Vindo dos meios de comunicação social intensivos
    Onde somos distraídos com as informações
    Que transformam-nos em filhos do alheio sem direcções
    Nos sujeitamos a um senhor chamado dinheiro
    Que tira-nos o poder de alcançar o amor verdadeiro
    Onde os seres mais atentos realmente são poucos
    Tal como os homens que como eu são chamados de loucos
    E os políticos nos prendem nesta vida de merda
    Na qual somos esbofeteados pela mão da pobreza
    Onde a máquina do tempo faz-me recordar os tempos
    Em que a paz de espírito governava sem contratempos.


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