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O Eco do Vidro

Alcimar Lourenco

Mesa posta, o café já esfriou
A marca roxa que o tempo não levou
A chave gira, o corpo estremece
Teu bom dia corta como ameaça
Era um palácio, hoje é cativeiro
O medo encara o espelho do banheiro
Tua palavra é muro de concreto
Falta ar dentro do meu próprio teto

A mão que afaga é a mão que aperta
A mente acorda, a alma alerta
O grito preso quer explodir
A porta fecha pra eu não fugir

Isso não é amor, é posse
Isso não é paixão, é corte
A mão que feriu ontem
É a mesma que traz a morte

Não me apaga, não me cala
Minha vida não é sua escala
Não me apaga, não me cala
Nenhuma a menos, a voz não para

O mundo olha e escolhe não ver
O luto guardado antes do amanhecer
O ciclo gira, a promessa retorna
E a lei falha quando se omite e ignora
Virei manchete, virei estatística
Um nome frio num feed anestesiado
Minha ausência grita mais que o fim
Ninguém merece morrer assim

Meu silêncio era o teu troféu
Mas minha história não acaba aqui
Arranquei o peso, rasguei o véu
Eu renasci quando eu decidi

Eu não sou sua

Isso não é amor, é posse
Isso não é paixão, é corte
A mão que feriu ontem
Não decide a minha sorte

Não me apaga, não me cala
Minha vida não é sua escala
Não me apaga, não me cala
Nenhuma a menos, agora eu não paro

A voz não para
Nenhuma a menos


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