Penumbras
Aliado Preto
Na sombra da vida eu aprendi viver ligeiro
Quem sorri demais na rua eu assisti quem vai cair primeiro
Os menor quer ouro, fama e Glock na cintura
Mas não conhece o preço de dormir com a cabeça cheia e a mente escura
Mãe ajoelhada pedindo proteção para ti
Enquanto a sirene canta no seu ouvindo dizendo que esse é o seu fim
Eu vim da lama, vários afundou pelo caminho
Uns multiplicaram demais fazendo filhos, outros preferem ficar sozinhos
A rua cobra caro de quem pisa sem respeito
Falsidade abraçada, ódio sempre escondido no peito
Os cria cresce vendo corpo no asfalto
E o estado só aparece quando é para puxar o gatilho no alto
O mundo gira e ninguém vai te esperar
Quem não tiver visão
A própria ambição vem pra te derrubar
Lealdade hoje vale mais que ouro
Porque dinheiro compra tudo
Tudo irmão até os verdadeiros no sufoco
Tô de preto na madruga, observando a neblina
Cada esquina tem um Judas querendo assistir várias ruínas
Mas eu fui escolhido para vencer mais uma guerra
Mesmo desacreditado pelos falsos profetas os donos dessa terra
Meu rap não nasceu para tocar em playboyzinho
Nasceu dentro do busão lotado nos anos 90 sempre voltando sozinho
Com a marmita vazia e o bolso sem nada
Um venho sonho revoltado e a alma desde cedo calejada
Fé em Exu pra não deixar o ódio me consumir
Porque vontade de revanche eu já senti aqui sempre surgir
Mas aprendi cedo: Quem vive só de vingança
Morre antes do tempo sem deixar a vida cobrar essa tal da esperança
Então respeita os mais velhos e escuta a direção
Quem ignora conselho dos velhos vira sempre notícia no chão
A vida é um sopro, um risco, um fio
Hoje vários fecha contigo
Amanhã no seu enterro está tudo vazio
Os menor me pergunta como não enlouquecer
Eu digo: Ore baixo e faça sempre por você pra eles te temer
Porque quem veio da favela sem perder a essência
Transforma cicatrizes em foco sempre de uma sobrevivência
Acorda Jão
Deus ainda passa na quebrada
Mas só enxerga luz
Quem venceu a própria madrugada
O Cristo que venderam no cartaz foi moldado na vitrine
Branco, cabelo liso, olho claro aprovado nas magazines
Colocaram a fé que cabe no retrato que o mercado definiu
Transformaram o sagrado em uma imagem que o povo mais consumiu



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