
A Rifa do Padre
Amilton Brum
Nos idos de antigamente, lá por mil e novecentos
Os dias passavam lentos, não tinha modernidade
O padre era a autoridade e benzia o povo crente
Mandava mais que o intendente e o juiz da cidade
Na festa da padroeira que até hoje acontece
Depois que o dia amanhece, o povo faz procissão
Todos de velas na mão, dando voltas pela praça
Agradece e pede graça e já esperam o sermão
Enquanto o padre pregava numa missa macanuda
Juntava gente graúda vinda de toda região
Que lotavam o salão pra alegria dos festeiros
Cochilava o dinheiro para o bem da construção
Pra sortear tinha de tudo, ovelha, vaca e leitão
Mas o prêmio principal que mais chamava atenção
Era o revorve do padre, recheado de munição
Com a bênção do vigário pra garantir proteção
Eram tachadas de doce e assados de todo o tipo
E um bolicho bem sortido para alegrar os Cristão
A rifa corria frouxa tenteando a sorte do povo
E o padre vinha de novo com reza, bênção, sermão
Benzido à moda gaúcha o povo todo já bem sabia
Quando chegava o dia, pois todo o ano era assim
Bem na hora do sermão, com toda a calma e zelo
O padre fazia o apelo como se fosse um clarim
Clamando para os fiéis a franca contribuição
Para buscar proteção da cidade e do povoado
Era chegada a hora de fazer outra fezinha
Comprar mais uma rifinha do revorvinho abençoado



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