A Beira e o Mar
Ana Paula Albuquerque
Mesmo que desamanheça
E o mundo possa parar
Nem nada mais me pareça
Invento outro lugar
Faço subir à cabeça o meu poder de sonhar
Faço que a mão obedeça
O que o coração mandar
Mesmo que ainda que tarde
Não tarde por esperar
Dou um nó cego em seu remelexo e o deixo sem ar
Roda a baiana ligeira
Faço esse mundo girar
Mas estarei sempre inteira
Se você despedaçar
Você será sempre a beira
E eu toda a água do mar
Mesmo que você não queira
Eu quero e assim será
No fim dessa brincadeira
Quando a poeira assentar
Solto o nó do remelexo e deixo você dançar
Quem não deu, tem que dar amor
Quem não quer mais voltar, chegou
Quem cansou de esperar, danou
Já nadou nesse mar
Se você me amar, eu sou
Se você me chamar, eu estou
Se quiser que eu seja não sou
Tudo que me mandar
No fim dessa brincadeira, quando a poeira assentar
Solto o nó do remelexo e deixo você dançar



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