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Sete velas marrons se queimando
Numa pedra no meio do mato
Enquanto um negro bem velho rezava
Em silêncio, sereno, pacato

Na floresta bem longe se ouvia
Tambores e o vento assoviar
A chuva já se aquietara
Só uma coruja ali pra testemunhar

Sem sequer olhar para o velho
Concentrada e com todo o fervor
Tinha sete velas marrons em suas mãos
E de joelhos falou sem temor

Receba Xangô esse romeiro
Me alivia dessa angústia sem fim
Reabre os meus caminhos
Me ilumina as ideias, kaô kabecilê

Uma folha não cai de um galho
Sem o criador vir a saber
Sua boca diz, mas o coração não sente
Se aquiete, vou tentar lhe esclarecer

Negro que pinta três vezes trinta
Garanto que vive muito mais
Abra bem seus ouvidos para o que eu digo
Não se compra sossego com velas e aguedás

Xangô não é milagreiro
Xangô não alivia tua dor
Mas tua ideia obtusa do que chama de fé
Só te prova ser um baita d'um enganador

Vá e flerte com as forças do demo
Vá e envoque o Exu Marabô
Tome banho de sangue até se quiser
Teu mal não tem cura e o teu horror só começou

Tá falando comigo, imbecil?
Quem perguntou o que foi que cê viu?
Essas velas são todas benzidas
E vão por um fim nessa sina tão vil

Se vela de prata queimasse
Não faria uma luz tão decente
Nem rezar só da boca pra fora
Confortar sua alma doente

Velas são vistas sempre queimando
E vozes clamarão, por guerra ou por paz
Só não me terás te erguendo da lama
Seduzido por vaidades como todo humano faz

Sete velas queimando o kaô
Sete velas queimando o kaô
Sete velas queimando o kaô


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