
Sete Velas
André Christovam
Sete velas marrons se queimando
Numa pedra no meio do mato
Enquanto um negro bem velho rezava
Em silêncio, sereno, pacato
Na floresta bem longe se ouvia
Tambores e o vento assoviar
A chuva já se aquietara
Só uma coruja ali pra testemunhar
Sem sequer olhar para o velho
Concentrada e com todo o fervor
Tinha sete velas marrons em suas mãos
E de joelhos falou sem temor
Receba Xangô esse romeiro
Me alivia dessa angústia sem fim
Reabre os meus caminhos
Me ilumina as ideias, kaô kabecilê
Uma folha não cai de um galho
Sem o criador vir a saber
Sua boca diz, mas o coração não sente
Se aquiete, vou tentar lhe esclarecer
Negro que pinta três vezes trinta
Garanto que vive muito mais
Abra bem seus ouvidos para o que eu digo
Não se compra sossego com velas e aguedás
Xangô não é milagreiro
Xangô não alivia tua dor
Mas tua ideia obtusa do que chama de fé
Só te prova ser um baita d'um enganador
Vá e flerte com as forças do demo
Vá e envoque o Exu Marabô
Tome banho de sangue até se quiser
Teu mal não tem cura e o teu horror só começou
Tá falando comigo, imbecil?
Quem perguntou o que foi que cê viu?
Essas velas são todas benzidas
E vão por um fim nessa sina tão vil
Se vela de prata queimasse
Não faria uma luz tão decente
Nem rezar só da boca pra fora
Confortar sua alma doente
Velas são vistas sempre queimando
E vozes clamarão, por guerra ou por paz
Só não me terás te erguendo da lama
Seduzido por vaidades como todo humano faz
Sete velas queimando o kaô
Sete velas queimando o kaô
Sete velas queimando o kaô



Comentarios
Envía preguntas, explicaciones y curiosidades sobre la letra
Forma parte de esta comunidad
Haz preguntas sobre idiomas, interactúa con más fans de André Christovam y explora más allá de las letras.
Conoce a Letras AcademyRevisa nuestra guía de uso para hacer comentarios.
¿Enviar a la central de preguntas?
Tus preguntas podrán ser contestadas por profesores y alumnos de la plataforma.
Comprende mejor con esta clase: